Jefferson agora sugere investigar o presidente

Petebista levanta dúvida de que Lula desconhecesse o mensalão

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Rio - Desconfortável na posição de réu no processo penal aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson defendeu ontem a investigação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia poupado em 2005 ao denunciar o esquema. Embora mantenha a versão de que o presidente lhe pareceu surpreso quando informado por ele sobre o suborno de parlamentares, Jefferson levantou dúvidas sobre o desconhecimento de Lula a respeito dos atos de corrupção atribuídos ao grupo liderado por ex-ministros como José Dirceu e ex-dirigentes do PT, como o deputado José Genoino (SP). Em entrevista à Rádio CBN, Jefferson voltou a se referir ao presidente como "Ali Babá" e disse que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não tem coragem para investigar Lula. "Se ele (o procurador) está fazendo o marketing da denúncia, 40 é o número emblemático do Ali Babá. Se são 40 ladrões, tem um chefe que os lidera. Quem é o Ali Babá? É o Lula. Está faltando peito a ele (Souza) de fazer essa denúncia", atacou. O ex-deputado, cassado em 2005 na esteira do escândalo, disse que, após o recebimento da denúncia contra os 40 acusados, Souza deveria agora investigar até que ponto o presidente conhecia e avalizava as ações do grupo caracterizado na denúncia como uma quadrilha. "Em relação ao mensalão, vi que ele (Lula) se surpreendeu. Mas e o resto das operações? Todos os ministros importantes do núcleo duro, Luiz Gushiken, Zé Dirceu, foram denunciados. Presidente da Câmara, diretores do Banco do Brasil, tesoureiro e secretário-geral do partido também. E o Lula não sabia? Isso precisa ser investigado", disse Jefferson, acrescentando que Lula foi o maior beneficiado do esquema para ampliar a base parlamentar na Câmara. Para o presidente do PTB, o procurador errou ao colocá-lo "na vala comum" dos mensaleiros. Ele disse não aceitar as acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro às quais vai responder no processo aberto pelo STF. Ele argumenta que apenas cometeu crime eleitoral ao fazer caixa 2 para o PTB com recursos não contabilizados do PT e que não sabia a origem do dinheiro. "Não tenho dúvida de que assumi esse risco porque é a prática no Brasil. A lavagem de dinheiro e a corrupção passiva eu devolvo para a inteligência do procurador-geral", disse Jefferson. "Corrupção passiva é o deputado federal receber dinheiro de membros do governo para votar a favor do governo na Câmara dos Deputados. Isso é o mensalão e isso não houve no PTB." Ele voltou a dizer que foi incluído entre os acusados para não se tornar "uma voz" com força contra o governo Lula. Também usou seu blog na internet para defender que o procurador pelo menos arrole o presidente como testemunha no processo. Escreveu ainda que está sendo investigado pela Polícia Federal, movida, segundo ele, pela ação política do ministro da Justiça, Tarso Genro. Afirmou que seu ex-motorista em Brasília sofreu ameaças de policiais federais para que fizesse denúncias contra ele. E levantou suspeitas de que esteja sob monitoramento telefônico.

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