Jean Wyllys torce para que STF reconheça união gay

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) se diz uma "pessoa esperançada" e torce por uma resposta positiva do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as duas ações que o órgão julga amanhã, movidas pelo governo fluminense e a Procuradoria-Geral da República, que pedem o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo. Se isso ocorrer, acredita, poderá influenciar o Congresso.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

03 de maio de 2011 | 19h31

"Enquanto Executivo e Judiciário dão passos largos, o Legislativo fica estagnado, e às vezes ameaça retroceder em relação a alguns direitos (dos homossexuais). Espero que o Judiciário force o Legislativo a se mobilizar", afirmou.

Ao mesmo tempo, Wyllys tem o "pé no chão". Acredita que os ministros possam se basear em "dois princípios soberanos - a defesa da dignidade da pessoa humana e o da não discriminação da igualdade". Mas reconhece que a Constituição é clara no artigo que fala de casamento. "Tem um parágrafo que diz que para fins de proteção do Estado, a união estável reconhecida é entre homem e mulher".

O deputado recolhe assinaturas para uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que altera o tal parágrafo - o novo texto reconhece, para fins de proteção do Estado, a união estável entre homem e mulher ou entre duas pessoas do mesmo sexo. Conseguiu cerca de cem. Para a PEC tramitar, são necessárias 171 assinaturas.

Ele faz uma crítica ao movimento gay, que durante anos brigou pela aprovação da lei que reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo, mas não se mobilizou para mudar a Constituição. "Talvez considerassem mais interessante o debate do que a conquista do direito."

Jornalista e professor universitário, Wyllys foi eleito com o menor porcentual de votos no Brasil - 0,16% dos votos do Estado. Vencedor da quinta edição do Big Brother Brasil, nunca entrou no circuito de celebridades e arriscou-se a fazer uma campanha sem citar o programa. Na Câmara, tornou-se parceiro da senadora Marta Suplicy (PT-SP), com quem divide a coordenação da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), relançada em março, com mais de cem integrantes.

Mas foi ele quem acabou atraindo a reação de grupos extremistas e recebeu, inclusive, ameaças de morte. "Achava que sofreria uma oposição qualificada, não essa reação covarde, com insultos, ameaças e argumentos ignorantes, como o de que eu fui eleito para legislar para toda a população. Como se não existisse uma bancada evangélica ou ruralista. É óbvio que estou aqui para defender o interesse da sociedade brasileira, mas principalmente os interesses das minores vulneráveis, para estender a cidadania ao conjunto da população."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.