DIDA SAMPAIO /ESTADÃO
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Jean Wyllys cospe em direção a Bolsonaro após votar contra impeachment

'Na hora que fui votar esse canalha (Bolsonaro) decidiu me insultar na saída e tentar agarra meu braço. Ele ou alguém que estivesse perto dele. Quando ouvi o insulto eu devolvi, cuspi na cara dele que é o que ele merece', explicou o deputado

Ricardo Galhardo, Igor Gadelha, Julia Lindner e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2016 | 21h54

Brasília - Após terminar de anunciar o seu voto no plenário da Câmara dos Deputados, Jean Wyllys (PSOL-RJ) cuspiu na direção do parlamentar Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Por serem do Rio de Janeiro, os dois votaram no mesmo bloco durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Casa. Em seu discurso, Bolsonaro enalteceu o ex-chefe de um dos órgãos de repressão da ditadura militar.

“Na hora que fui votar esse canalha (Bolsonaro) decidiu me insultar na saída e tentar agarra meu braço. Ele ou alguém que estivesse perto dele. Quando ouvi o insulto eu devolvi, cuspi na cara dele que é o que ele merece”, explicou Willys.

Indagado se teria sido se arrependido do gesto, ele respondeu: “de jeito nenhum. Eu cuspiria na cara dele quantas vezes eu quisesse e quantas vezes tivesse vontade”. 

O deputado disse não temer um processo por conta do gesto. “Processo merece quem é machista, que é a favor da violência, que defende a memória (do coronel Carlos Alberto) Brilhante Ulstra, um torturador. Isso deveria escandalizar vocês, não um cuspe na cara de um canalha”, justificou.

O parlamentar do Psol não detalhou qual o teor do suposto insulto de Bolsonaro. 

"Perderam em 1964, perderam agora em 2016", disse Bolsonaro antres de Wyllys subir ao plenário, fazendo uma referência ao golpe militar. "Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, o meu voto é sim", defendeu Bolsonaro. Ele parabenizou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dizendo que ele "entrará para a história".

O deputado Jean Wyllys disse estar "constrangido" de participar de uma "eleição indireta, conduzida por um ladrão, urdida por um traidor conspirador e apoiada por torturadores covardes, analfabetos políticos e vendidos. Uma farsa sexista". Ele declarou seu voto contra o impeachment em nome "dos direitos da população LGBT, do povo negro exterminado nas periferias, dos trabalhadores da cultura, dos sem teto, dos sem terra".

Ele não foi o único a criticar o presidente da Câmara. Pouco antes, o também deputado do PSOL, Glauber Braga, disse que Cunha é um "gângster", dirigindo-se diretamente para o local onde o peemedebista. "O que dá sustentação a sua cadeira cheira a enxofre. Eu voto por aqueles que nunca escolheram o lado fácil da história." Ele citou nomes de políticos como Carlos Marighella, morto em 1969 pelo regime militar, para votar não.

A Casa, mais uma vez, foi tomada por gritos de "Fora Cunha!". Outra parlamentar a criticar diretamente Cunha durante o seu voto foi Jandira Feghali (PCdoB-RJ). "Primeiro, quero registrar minha indignação, deputado Eduardo Cunha, por ainda vê-lo sentado nessa cadeira, sem reunir condições morais para isso. Segundo, a minha indignação de vê-lo abraçado com um traidor da democracia, que é o vice-presidente Michel Temer."

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