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JBS pode incluir testemunhas em sua delação

Um funcionário que tenha presenciado fatos estranhos mas não teve acesso às evidências pode ser considerado testemunha; neste caso, ele não é visto como criminoso

Alexa Salomão, Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2017 | 17h24

No mundo de denúncias espontâneas, inaugurado pela força-tarefa da Operação Lava Jato, quem confessa pode ser enquadrado de três maneiras: delator, leniente ou testemunha.

JBS convoca mais executivos para aderir à delação

A testemunha pode ser o funcionário que não atuou em nenhuma irregularidade, mas presenciou fatos considerados estranhos, desconfiou de que algo estava errado, mas não teve acesso às evidências. Ele não é considerado criminoso.

Quem já selecionou funcionários para diferentes tipos de colaboração garante que o processo não é uma ciência exata. Erros podem ser cometidos. Não apenas em apontar envolvidos, mas também deixar de fora alguém que mais tarde vai ser apontado por um colega.

Acordo de leniência atinge empresas da J&F

Até hoje estão surgindo novos envolvidos em ilícitos investigadas na Lava Jato, mesmo nos escalões mais baixos, de empresas que tomaram a dianteira em se entregar.

A construtora Camargo Corrêa fechou a leniência em meados de 2015, mas seus delatores foram chamados para fazer “recall”: complementar novos fatos que foram descobertos em novas apurações.

A Andrade Gutierrez fechou a leniência há um ano, mas recentemente surgiram novos gerentes e superintendentes para serem ouvidos.

O delator ou colaborador tem uma posição mais estratégica no processo. É a pessoa no comando dos ilícitos. Quando depõe não pode mentir - e se for pego enganando a Justiça perde os benefícios acertados. Os acionistas, como Joesley e Wesley Batista, e altos executivos que dirigem áreas de negócios e presidem outras empresas dos grupos costumam estar nessa categoria.

O leniente participa dos esquemas, mas não tem poder de decisão. Enquadram-se nesse caso quem leva um pacote de dinheiro ou registra propinas em uma planilha. Nas delações da JBS, existem vários relatos de pagamentos feitos com notas frias, por exemplo, o que denota que haverá lenientes. Por fim, há a testemunha.

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