JBS diz ter usado nota fria para pagar propina a políticos do MS

Empresários Wesley e Joesley Batista disseram que emitiam documentos fiscais de carne e gado que não eram entregues

O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2017 | 23h35

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, proprietários do frigorífico JBS, afirmaram em delação premiada que utilizaram notas fiscais frias, simulando compras de carne e gado vivo, para mascarar o pagamento de propina a políticos do Mato Grosso do Sul. Entre os beneficiados do pagamento de propinas estaria o atual governador, Reinaldo Azambuja, do PSDB. 

Em maio, quando detalhes das delações foram revelados, o Estado informou que Azambuja era acusado de receber R$ 38 milhões em propina do Grupo J&F, controlador da JBS, em troca de benefícios fiscais.

Detalhes do esquema empregado pelos irmãos Batista para pagamentos de propinas foram revelados neste sábado, 22, pelo Jornal Nacional. Os empresários teriam entregado a procuradores do Ministério Público Federal (MPF) uma lista com nomes e notas fiscais que simulavam a compra de produtos.

De acordo com a reportagem, a carne e o gado eram vendidos e pagos, mas não chegavam a ser entregues pelos fornecedores à JBS. Nas notais fiscais e nas Guias de Transito Animal (GTAs) – documento oficial para transporte de animal vivo no Brasil – apareciam o local para onde a carga era levada. No entanto, conforme a reportagem da TV Globo, o Ministério da Agricultura informou que os carregamentos nunca foram entregues de fato. Também não há registro de abate dos animais vivos supostamente vendidos à JBS.

Wesley disse aos procuradores da Operação Lava Jato que o dinheiro da compra servia, na verdade, para o pagamento de propina a secretários e ao atual governador do Mato Grosso do Sul. Em troca, o grupo teria conseguido desconto de R$ 99 milhões no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago ao Estado.

Na delação aos procuradores, Wesley afirmou que o esquema de notas frias teria durado pelo menos 13 anos. Ele teria parado em 2016, quando os empresários desconfiaram que eram alvo das investigações da Lava Jato.

Um dos produtores que teria participado do esquema é o atual secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Márcio Monteiro, que é pecuarista. Em dezembro de 2016, ele teria vendido 140 cabeças de gado à JBS no valor de R$ 333 mil. Só que o carregamento não teria sido entregue.

Segundo o Jornal Nacional, Márcio Monteiro afirmou ter vendido o gado à JBS e que sua responsabilidade termina quando o gado é embarcado. Já Azambuja declarou, por meio de nota, que nunca recebeu qualquer vantagem indevida dos irmãos Batista e que as quantias relativas a doações constam da prestação de contas da campanha de 2014, aprovadas pela Justiça Eleitoral. 

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