Marcos Oliveira/Agência Senado
Marcos Oliveira/Agência Senado

Jayme Campos vai comandar Conselho de Ética do Senado

Nome do senador do DEM é tratado como 'mais aceitável' até mesmo pela oposição

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2019 | 11h04

BRASÍLIA - Nove meses após o início da legislatura, o Senado escolheu nesta quarta-feira, 25, o senador Jayme Campos  (DEM-MT) como presidente do Conselho de Ética. A votação foi por aclamação, feita pelos integrantes do colegiado, que foram indicados na semana passada.

O Conselho de Ética tem como atribuições receber e analisar representações ou denúncias feitas contra senadores, que podem resultar, nos casos considerados mais extremos, na cassação do mandato. Ao presidente do colegiado cabe decidir dar andamento e ditar o ritmo destes processos.

O nome de Campos era cotado para o cargo desde o início do ano, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vinha protelando a instalação do conselho. O PSL, de Jair Bolsonaro, chegou a reivindicar presidir o conselho. A intenção era garantir uma possível “blindagem” ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, que virou alvo da oposição após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações financeiras atípicas em contas do seu ex-assessor Fabrício Queiroz, conforme revelou o Estado.

O nome de Campos, porém, é tratado como “mais aceitável” até mesmo pela oposição, pois não significa um alinhamento tão direto ao governo, como no caso de um representante do partido do presidente.

Ao todo, o conselho é formado por 15 senadores titulares e o mesmo número de suplentes, de acordo com a representação dos partidos na Casa. O PSL indicou apenas um integrante até o momento: o senador Major Olímpio (PSL-SP), líder da bancada. Ainda há uma vaga aberta para a sigla.

Nos últimos anos, o Conselho de Ética foi dominado pelo ex-senador João Alberto (MDB-MA), ligado ao ex-presidente José Sarney (MDB-MA). No período, o parlamentar foi criticado por engavetar a maior parte dos pedidos de cassação que chegavam ao colegiado contra aliados. Foi o caso, por exemplo, das representações contra o então senador Aécio Neves (PSDB-MG), em 2017.

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