Jarbas Vasconcellos ataca Itamar e defende Temer

O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcellos (PMDB), ao sair de audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto, recomendou ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco - seu colega de partido - que vá governar o seu Estado. Vasconcellos encontrou-se hoje também com o deputado Michel Temer (PMDB-SP), ex-presidente da Câmara, que gostaria de ver seu próprio nome incluído numa chapa com que a ala governista do PMDB pretende disputar a presidência do partido com Itamar Franco, representante da dissidência. "O Itamar Franco tem de governar o Estado dele. Que adianta ele querer ser candidato a presidente do partido para ser candidato à Presidência da República? Essa tese é estapafúrdia", afirmou Vasconcellos. Ele disse considerar Michel Temer o melhor candidato à Presidência do PMDB, pois, segundo o governador, o deputado tem diálogo com todas as correntes do partido e poderá ser um nome de consenso.Greve da políciaVasconcellos afirmou que não concorda com a afirmação de que a falta de dinheiro é a principal dificuldade dos Estados no controle das rebeliões de policiais militares e civis. Vasconcellos disse, contrariando argumentos de alguns dos seus colegas, que o que se deve discutir neste momento é a criação de mecanismos de defesa para que os governadores não fiquem reféns de greves armadas. "A Polícia Civil de Pernambuco, por exemplo, está há mais de 20 dias em greve, a Justiça já decretou que o movimento é ilegal, mas não há mecanismos de punição", queixou-se. Na opinião dele, o ideal seria a aprovação de um projeto de lei "duro", estabelecendo punições como a expulsão de grevistas da corporação policial. Vasconcellos se declarou favorável à edição de medida provisória dando poderes de polícia ao Exército. O governador defendeu a criação de um núcleo permanente das Forças Armadas, para auxiliar os Estados nesse tipo de emergência. "Sobre isso, só dá para falar quem passou por essa situação de enfrentar um bando armado na frente do palácio do governo. O governador não tem uma terceira alternativa: ou ele desce e enfrenta a polícia armada ou ele foge pelos fundos", disse Vasconcellos. Ele insistiu na afirmação de que a questão fundamental não é dinheiro. Disse que se algum governador espera que a União libere recursos adicionais para aumento de salário dos policiais, poderá se frustrar. "A União não vai repassar dinheiro para aumento a uma categoria", disse.

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