Jarbas propõe prévia interpartidária

Convidado a disputar as prévias eleitorais do PMDB com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), recusa o lançamento de seu nome na corrida presidencial e faz uma proposta alternativa: abrir as prévias peemedebistas de 20 de janeiro ao PFL da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e ao PSDB do governador do Ceará, Tasso Jereissati."Eu não posso me colocar nas prévias do PMDB agora, porque sempre disse que qualquer candidato que sair das forças governistas não terá nenhuma chance na disputa presidencial se não tiver o apoio dos outros partidos da aliança", diz Jarbas.Por isso mesmo, ele está disposto a propor prévias interpartidárias a Roseana e Tasso nesta semana, caso se confirme a reunião dos três que o governador cearense está programando para os próximos dias.Um dirigente do PSDB que acompanha de perto a movimentação de Tasso Jereissati afirma que o governador está se articulando para manter de pé a aliança governista na eleição presidencial de 2002.Além dos contatos freqüentes com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que defende publicamente sua candidatura ao Palácio do Planalto, o governador cearense também tem conversado com a governadora Roseana.E, segundo um cardeal do PSDB, em todas as oportunidades ele defende a preservação da aliança no ano que vem.O assunto provoca arrepios no grupo de tucanos que defendem a candidatura presidencial do ministro da Saúde, José Serra (PSDB), e não admitem apoiar um candidato fora do PSDB.Mas até os chamados serristas, entre os quais o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), trabalham hoje em favor de promover consultas regionais, envolvendo dirigentes e líderes locais do partido.A estratégia neste caso é usar as consultas para tentar preservar o espaço do PSDB na mídia e na sociedade. A cúpula do PSDB não esconde a preocupação com o crescimento da candidatura de Roseana, que ameaça consolidar seu nome no cenário político nacional antes mesmo de um tucano decolar na corrida presidencial.O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), aposta que a candidatura Roseana ganhou um embalo irreversível, em um fenômeno eleitoral semelhante ao que ocorreu com o candidato Fernando Collor em 1989."Ela é uma opção em ascensão porque representa o novo na política", diz Bornhausen. Mesmo diante do otimismo da cúpula pefelista, Roseana mantém a defesa da aliança, convencida de que seu adversário não é nenhum deles, mas o PT.O raciocínio neste caso é o de que só quem tiver mais apoio nos partidos aliados terá condições de chegar ao segundo turno e vencer o petista Luiz Inácio Lula da Silva.Mais do que aproximar aliados, a idéia das prévias interpartidárias é a saída que setores do governo e do PMDB vêem para se livrarem da candidatura do governador Itamar Franco.Interlocutores do presidente Fernando Henrique Cardoso estão convencidos de que dirigentes do PMDB foram lenientes no que se refere à permanência do governador de Minas no partido."Fizeram vista grossa com o Itamar, ele pagou para ver e agora é um risco que tem de ser enfrentado", diz o interlocutor presidencial, referindo-se ao "risco real" de o mineiro vencer as prévias do PMDB.Na avaliação deste político, a única saída para escantear o governador de Minas a esta altura é ampliar as prévias para os demais partidos da base, como sugere o governador de Pernambuco."As prévias são um instrumento democrático difícil de recusar", concorda Jarbas Vasconcelos. Como estava fora do Recife no fim de semana, ele foi procurado sem sucesso por Tasso.Mas, antes mesmo de receber o convite para a reunião, ele confirma a presença e antecipa a sugestão de abrir as prévias para que cada partido possa apresentar dois nomes na disputa.

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