José Varella
José Varella

Jarbas Passarinho é enterrado com honrarias militares e presença de autoridades em Brasília

Emocionados, parentes e autoridades elogiaram a atuação política de Passarinho e o aplaudiram na despedida

Gustavo Aguiar e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2016 | 18h23

Foi enterrado neste domingo, 5, no cemitério Campo da Esperança, em Brasília, o coronel da reserva e ex-ministro Jarbas Passarinho. A cerimônia rápida, marcada para as 16 horas, contou com honrarias militares, como execução de marchas, tiros de fuzil e de canhão. Emocionados, parentes e autoridades elogiaram a atuação política de Passarinho e o aplaudiram na despedida. 

"Era um homem de ideias, preocupado com o Brasil", afirmou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, que participou da cerimônia. "Esteve sempre muito preocupado com o destino do nosso povo", destacou. Velloso se lembra que conversou sobre a situação do País na última conversa que teve com Passarinho há cerca de 10 anos. "Era seu assunto preferido".

Passarinho tinha 96 anos e morreu em casa, em Brasília, em decorrência de problemas causados pela idade avançada. A opção de não ir para um hospital foi do próprio ex-ministro. Ele dizia aos parentes que preferia esperar pelo fim de "maneira honrada". Com dificuldades para respirar, Passarinho havia sido sedado e estava inconsciente nos últimos dias de vida. 

Nascido em Xapuri, no Acre, ele iniciou sua trajetória política no Pará, Estado que governou entre os anos de 1964 a 1966. Também foi senador por três mandatos e atuou como ministro nos governos militares e do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Passarinho participou da articulação do golpe militar de 1964 e ficou famoso por uma frase proferida durante a reunião para instaurar o Ato Institucional 5, que deu amplos poderes aos militares e endureceu o regime a partir de 1968, empurrando o País para a ditadura. "Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência", disse na época.

Para o senador Heráclito Fortes (PSB-PI), o Brasil perdeu neste domingo um dos homens mais importantes de sua história recente. "Ele surgiu como um revolucionário, mas soube mudar de posição na hora certa e se tornou um colaborador fantástico no processo de transição (com o período da ditadura)", lembrou. Heráclito pontuou que, apesar de algumas divergência política, o admirava. "Ele era um vocacionado". 

O ministro do STF Marco Aurélio Mello, que esteve no velório de Passarinho mas não foi ao enterro, negou que, apesar de ter sido militar de carreira e ter participado do regime militar, o ex-ministro fosse um conservador. "A dualidade representa o equilíbrio. Quando ele partiu para a reserva e se engajou na vida política, se mostrou um político exemplar". Passarinho era padrinho de uma das filhas de Marco Aurélio. 

"Fui senador, fui governador, fui ministro, mas sou coronel", lembrava Passarinho à família. Pai de cinco filhos, 14 netos e 18 bisnetos, o ex-ministro era, até o fim da vida, muito próximo do Exército Brasileiro, que o homenageou durante o enterro. "É um exemplo de honestidade, dignidade, honra e obediência", declarou Carlos Passarinho, um de seus filhos. 

O presidente em exercício Michel Temer e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, lamentaram a morte de Passarinho pelas redes sociais.  "Quero expressar meus sentidos pêsames pela perda desse grande brasileiro", disse Temer sua conta no Twitter. "Independentemente de concordarmos ou não com suas posições, é uma grande perda", disse Padilha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.