Jarbas 'desnudou' governo, mas exagerou, diz Quércia

Para o presidente do PMDB-SP, críticas do senador sobre corrupção do partido foram um 'desabafo'

Daniel Galvão, da Agência Estado

17 de fevereiro de 2009 | 15h40

O presidente estadual do PMDB de São Paulo, ex-governador Orestes Quércia (PMDB), afirmou nesta terça-feria, 17, que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) "desnudou" o governo, mas "exagerou" nas declarações sobre corrupção no partido, na entrevista às páginas amarelas da revista Veja desta semana. De acordo com Quércia, a administração federal é "assistencialista", como acusou Jarbas na entrevista, vive do "negócio" do Bolsa-Família e não fez nenhuma das grandes reformas.   Veja também: Jarbas diz que denúncia é 'genérica' e não cita nomes do PMDB Declarações de Jarbas e a reação do PMDB  Declaração de Jarbas é 'desabafo', diz PMDB   Às páginas amarelas de Veja,  o senador do PMDB de Pernambuco afirmou que "o marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro", referindo-se aos altos índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   O ex-governador de São Paulo reforçou as declarações de Jarbas, dizendo que "o governo está altamente benquisto, mas por causa do assistencialismo". "Como lembrou o senador, o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici era benquisto e, nem por isso, ele (Jarbas Vasconcelos) o apoiou", disse. O senador do PMDB, que é advogado e pertence à ala considerada "histórica" do partido, foi presidente da comissão mista do Congresso que analisou a emenda das Diretas, em 1984.   O presidente do PMDB paulista declarou que o Poder Executivo "é responsável por tudo isso", ao mencionar a crítica de Jarbas ao "clientelismo" da legenda. Conforme as declarações do senador à revista, mais de "90% dos líderes regionais" da sigla o praticam. Para Quércia, os aliados peemedebistas do Executivo foram beneficiados pelo loteamento de cargos. "O erro principal é do governo."   "Tradicionalmente, na política brasileira, cada partido cuida de um setor do governo, mas, no governo do PT, não é assim. No PT é ao contrário, cada setor é dividido por uma porção de gente. É um loteamento", criticou Quércia. "Esse loteamento do PT exclui a responsabilidade. Isso pode causar também corrupção."   Sarney   Além de ter discordado das afirmações sobre corrupção no PMDB, o ex-governador acha também que Jarbas Vasconcelos foi "muito duro" com o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), e com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). "Eu acho que o Sarney vai ajudar muito o PMDB e o País como presidente do Senado, mas ele não é perfeito e tem hoje o defeito de apoiar o governo", julgou. Para Quércia, as críticas a Renan também foram exageradas.   "Mas o senador Jarbas Vasconcelos é uma liderança política importante da história do Brasil, é uma pessoa maravilhosa, sou amigo dele e o respeito muito, mesmo não concordando com tudo. Acho que o que ele fez foi um desabafo numa realidade política complicada", prosseguiu Quércia. O ex-governador concluiu afirmando que é contra a expulsão do senador da sigla, como defenderam alguns líderes regionais. "O Michel (Temer, presidente da Câmara dos Deputados) vai saber conduzir muito bem esse problema."

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