Jarbas causa primeiro estrago

Derrota no Real Grandeza vem logo após denúncias

João Domingos e Cida Fontes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

O efeito das denúncias do senador Jarbas Vasconcelos (PE) contra seu partido, o PMDB, causou ontem a primeira grande derrota dos peemedebistas, impedidos de assumir o controle do Fundo Real Grandeza, de Furnas, e de seu patrimônio de R$ 6,3 bilhões. No dia 18, em entrevista à revista Veja, Jarbas afirmou que "boa parte do PMDB quer mesmo é a corrupção" e acrescentou que "a maioria de seus quadros se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas".Sob a direção do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ligado ao líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e ao presidente do Senado, José Sarney (AP), os peemedebistas fizeram de tudo para derrubar Sérgio Wilson Ferraz Fontes da presidência do Real Grandeza. Tinham até o nome de um aliado para substituí-lo: o atual gerente financeiro de Furnas, Eduardo Henrique Garcia.MOVIMENTOO deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) informou ontem que iniciará, na semana que vem no Congresso um movimento para dar maior transparência à indicação dos diretores das estatais. Jarbas participará. O senador, que já causou muitos estragos no PMDB ao dizer que o partido "é corrupto", pretende fazer um discurso na tribuna do Senado na próxima terça-feira para apresentar um projeto de lei que estabelece restrição às indicações políticas para cargos em empresas estatais, públicas e autarquias. A ideia de Jarbas é tornar esses cargos exclusivos de funcionários de carreira, o que, na sua avaliação, ajudará a moralizar o setor público e profissionalizar o Executivo, além de excluir a partidarização da máquina administrativa.O discurso de Jarbas está sendo aguardado com expectativa. Desde que ele acusou o PMDB de praticar irregularidades, aumenta a pressão para que lidere um movimento contra a corrupção. "Ele é o aglutinador", disse o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que já conversou com o senador. Jarbas está em Portugal, mas retorna ao Brasil ainda nesta semana.De acordo com interlocutores, dificilmente ele será o comandante de uma frente contra a corrupção, porque é um tipo de movimento que não combina com seu perfil. Mas pode ajudar Fruet e Gabeira na organização de um debate sobre os limites das nomeações e maior transparência no Executivo.

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