Jarbas alia-se ao Planalto contra Itamar

Incomodado com os constantes ataques do PMDB ao seu governo - inclusive por peemedebistas aliados - o presidente Fernando Henrique Cardoso acabou sendo socorrido pelo governador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).Na contramão da posição de ruptura do PMDB, Jarbas passou a fazer nos últimos dias um discurso afinado com o Palácio do Planalto e partiu para o ataque ao principal desafeto de Fernando Henrique: o governador Itamar Franco (PMDB-MG)."Não dá para imaginar que Itamar possa dar uma contribuição positiva ao País", disparou Jarbas Vasconcelos, durante viagem pelo interior de Pernambuco. "As pessoas esquecem com facilidade, mas Itamar foi vice de Collor há onze anos por força de vontade própria , sem que ninguém o induzisse", acrescentou.O ataque de Jarbas foi o primeiro gesto concreto dentro do PMDB para neutralizar a candidatura presidencial de Itamar Franco. Até então nenhuma ação havia sido feita pela cúpula do PMDB para barrar o crescimento da tendência oposicionista dentro do partido.Jarbas está defendendo a construção de uma alternativa para a sucessão de 2002 para o partido não ficar dependente do nome do governador mineiro. "Temos que buscar alternativas para não ficar só nessa de Itamar Franco", reagiu. Para o pernambucano, Itamar não é o candidato ideal para o momento, insistindo para isso, no passado político do governador mineiro. Essa não é a primeira vez que Jarbas ataca publicamente uma liderança do partido. Há três meses, ele já havia feito duras críticas ao presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).A posição de Jarbas foi reforçada no Palácio do Planalto pelo líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM). "Itamar quer casar como virgem, mas o marido devolve porque ele não é mais puro", atacou Virgílio. "É bom lembrar que Itamar é aliado de pessoas como Newton Cardoso (vice-governador PMDB-MG), Orestes Quércia (ex-governador PMDB-SP) e está querendo o ex-prefeito Paulo Maluf", insinuou.Dentro do governo é grande o constrangimento com a cúpula do PMDB.Isso porque no momento em que o governo está sendo mais atacado pelos oposicionistas do partido, o Planalto não percebeu nenhuma reação mais forte dos peemedebistas com cargos no Executivo Federal.Pelo contrário. "O gesto do PMDB é de consentimento", observou um interlocutor de Fernando Henrique. Segundo a fonte, isso continua acontecendo mesmo depois de o presidente nomear o senador Ramez Tebet (PMDB-MS) para o Ministério da Integração Nacional."O Planalto não obteve dos governistas do partido nenhuma reação contra a proposta de distanciamento da aliança, referendada numa reunião do PMDB na terça-feira."Contrário à posição majoritária do PMDB por uma candidatura própria, Jarbas Vasconcelos continua defendendo a união das forças da base de sustentação em torno de um candidato único para 2002."Sempre reconheci que esta não é uma tese fácil, mas, em política, não se deve deixar de fazer as coisas por serem difíceis", argumentou ele, que na semana passada jantou com Fernando Henrique no Palácio da Alvorada.Internamente, Jarbas continua defendendo a antecipação da Convenção Nacional do PMDB, marcada para o dia 9 de setembro. O governador peemedebista quer uma definição imediata sobre o futuro da legenda para que os insatisfeitos tenham tempo suficiente para deixar o partido.Jarbas é visto constantemente como nome ideal para vice numa chapa encabeçada pelo ministro da Saúde, José Serra. Mas a dobradinha pode não ser consolidada, depois que Serra entrou em rota de colisão com o PMDB.

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