Jarbas agiu para beneficiar Serra, afirmam aecistas

Ataques de senador ao PMDB teriam objetivo de deixar governador de Minas Gerais sem opções fora do PSDB

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) mirou o PMDB do presidente do Senado, José Sarney (AP), e do líder Renan Calheiros (AL), quando disse que boa parte do partido "quer mesmo é corrupção", mas acabou atingindo a pré-candidatura presidencial do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). É o que avaliam setores expressivos do PMDB e do PSDB, para quem Aécio foi abalroado mais "de caso pensado" do que "por tabela".Alguns suspeitam até de que o senador possa ter agido para beneficiar o governador paulista José Serra, concorrente de Aécio na disputa pela vaga de candidato a presidente pelo PSDB. É o caso do líder peemedebista na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), que vem acalentando o sonho de filiar Aécio ao PMDB para transformá-lo em candidato em 2010.O raciocínio neste caso é que, uma vez fora do PSDB, a alternativa que oferece a maior estrutura a Aécio para enfrentar o próprio Serra na corrida sucessória é o PMDB. Maculado nacionalmente pelos ataques de Jarbas, no entanto, o partido deixa de ser opção e Aécio passa a representar menos risco ao projeto Serra de poder."A explicação mais razoável que encontrei para a atitude absurda e sem responsabilidade de Jarbas, procurando atingir a todos do PMDB, é a de que ele pode estar a serviço da candidatura Serra. Talvez esteja fazendo isso para dinamitar os caminhos de Aécio e dificultar a caminhada do governador de Minas", avalia Henrique Alves. Ele confessa que, no primeiro momento, ninguém entendeu o porquê da atitude repentina do senador, "explodindo as bases partidárias" quando o próprio Jarbas atravessa momento difícil, com o partido "se acabando em Pernambuco".Jarbas não nega sua simpatia pela candidatura de Serra e tampouco discorda da constatação de que seus ataques ao PMDB soaram como um fato novo que consolida a imagem ruim do partido. Admite até que se deu conta de que a mácula ficou muito forte e isso inibe o eventual movimento de um pré-candidato em direção ao partido. Mas diz que "o plano B de Aécio, via PMDB", já estava fora de cogitação."Quem trata Aécio como um trunfo do PMDB na sucessão se esquece de dizer que este trunfo está descartado há muito tempo, por um fato que é anterior a qualquer entrevista que eu tenha dado: a dificuldade de botar todos os caciques regionais do partido em um único projeto de poder", explica Jarbas, certo de que, hoje, nenhum político entraria no PMDB para ser candidato, sem ter segurança. O entendimento geral é que nenhum cacique leva o partido inteiro para nenhuma candidatura. "O Aécio é inteligente; sabe que o PMDB jamais poderia entregar a ele uma candidatura homologada em convenção", insiste o senador. Por isto mesmo, Jarbas aposta que o PMDB não realizará convenção nacional para apoiar quem quer que seja, inclusive a ministra da Casa Civil e candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff. Pela mesma razão, também considera "absurda e burra" qualquer especulação em torno de seu interesse em se cacifar para ser vice na chapa presidencial de Serra - convite que, aliás, lhe foi feito em 2002 e ele recusou.A despeito do impacto negativo das acusações do senador sobre o partido, Henrique Alves destaca que sempre há o "reverso da moeda". "Isto provocou o mais profundo sentimento de unidade e resistência. Vamos nos unir ainda mais para mostrar nossa força e mostrar que não somos isto que Jarbas falou e que o PMDB, hoje, tem um julgamento popular bem diferente do que ele disse."

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