Jarbas: Afastamento da CCJ foi 'mesquinho' e não aceito cargos

Senador sobe à tribuna para falar sobre afastamento da comissão pelo atual líder do PMDB, Renan Calheiros

da Redação

03 de março de 2009 | 18h32

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse que não foi surpreendido pelo afastamento da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pelo atual líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e chamou a atitude de mesquinha. "Nem mesmo na ditadura tive meus direitos cerceados, embora tenha a combatido fervorosamente", afirmou, da tribuna, nesta terça-feira, 3.  Veja Também:Entenda a polêmica do Real Grandeza, o Fundo de Furnas  Opine: Jarbas deve deixar o PMDB?  Veja a íntegra do discurso de Jarbas Vasconcelos Veja as declarações polêmicas de Jarbas Não há problema em PSDB ceder vaga a Jarbas, diz GuerraJarbas quer limitar indicação partidária em estatais Não é a primeira vez que Renan tenta punir Jarbas. Quando presidia o Senado e respondia a processo de cassação do mandato, ele pressionou o então líder do PMDB, Valdir Raupp( RO), a tirar o pernambucano da CCJ - uma das comissões mais importantes da Casa. Diante da repercussão negativa, Raupp recuou. Agora, na condição de líder, Renan assume pessoalmente a tarefa de afastar o colega. Jarbas abriu seu discurso recusando os cargos oferecidos pelo seu partido, o PMDB. "Eu declino das indicações do PMDB para  para qualquer outra comissão desta Casa", disse.  O senador comentou as declarações que fez à revista Veja sobre corrupção no PMDB e disse que não tem mais "nada a acrescentar". "Não tenho uma vírgula a acrescentar do que falei. Não sou mesquinho, não sou pequeno. O que tinha que dizer sobre o presidente do Senado, José Sarney, o líder do PMDB, Renan Calheiros, eu já disse. Serei mesquinho e pequeno  se tiver o que acrescentar".  Em entrevista à revista Veja da primeira semana de fevereiro, o senador  disse que o PMDB é "um partido sem bandeiras, sem propostas, sem norte" e boa parte dos filiados "quer mesmo é corrupção". O partido, chamado de "a grande noiva de 2010", se fortaleceu ainda mais após dominar o comando da Câmara e do Senado.  O senador atacou diretamente o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), classificando sua eleição para a presidência do Senado como "completo retrocesso". Segundo Jarbas, Sarney não tem compromissos éticos: "A moralização e a inovação do Senado são incompatíveis com a figura do senador." Na tribuna, Jarbas lembrou a polêmica do fundo de Furnas, o Real Grandeza, que está no centro de uma disputa interna do PMDB pelo seu controle. " O caso do Fundo de furnas é a prova clara, inequívoca e transparente do que explicitei na entrevista. Não preciso citar nomes porque eles vem à tona quase que diariamente".  O PMDB recebeu Furnas em 2007 como parte do dote do governo federal, em troca de apoio político no Congresso. Desde então, teria intenção de substituir a diretoria do Real Grandeza. É o quinto maior fundo do serviço público federal, perde apenas para Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Centrus (Banco Central). O senador cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a instalação de uma auditoria independente para por "em pratos limpos" o que aconteceu recentemente com o fundo Real Grandeza (fundo de pensão de Furnas e da Eletronuclear). "Essa deveria ser a atitude a ser tomada, e não a de deixar a poeira abaixar, esperando que a história seja esquecida, abafada por um novo escândalo, escândalos que têm se incorporado à paisagem nacional", disse, durante seu primeiro discurso no plenário do Senado depois que concedeu entrevista a uma revista, na qual fez acusações a partidos políticos, incluindo o PMDB. Quando Jarbas começou a discursar, sete senadores do PMDB estavam no plenário, inclusive Renan Calheiros (AL). "O exercício da política não pode ser transformado em um balcão de negócios. O que se vê hoje no nosso país é um sentimento de descrença com a impunidade corroendo as bases da democracia. O poder pelo poder leva ao quadro político degenerado, que hoje vivemos no nosso país, no qual a esperteza é mais valorizada do que a inteligência e a correção ética", disse. O senador citou a reforma política como um caminho para resolver essas pendências da democracia, que está na pauta há anos. "Refiro-me à Reforma Política. Não a esse arremedo de reformas que chegou recentemente ao Congresso Nacional, que será fatiada. Também não me refiro à fidelidade partidária com prazo de validade aprovado pela Câmara dos Deputados", completou.  (Com Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo)  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.