DIDA SAMPAIO|ESTADAO
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Jaques Wagner defende que Congresso não entre em recesso

Ministro afirmou que seria 'meio estranho' os deputados saírem de férias e deixarem para depois a decisão sobre o afastamento da presidente

Carla Araújo, Gustavo Porto e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 19h34

BRASÍLIA -  O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, defendeu na tarde desta quinta-feira, 3, que o Congresso não entre em recesso parlamentar para deliberar sobre o processo de impeachment aberto contra a presidente Dilma Rousseff. "Não me parece razoável que o parlamento se desligue, já que se abriu um processo de tentativa de votar o impedimento", disse.

Jaques afirmou ainda que seria "meio estranho" os deputados saírem de férias e deixarem para depois a decisão sobre o afastamento da presidente. Destacando que o governo "tem pressa" para resolver essa questão, Wagner levantou a possibilidade de que a própria presidente poderia determinar a suspensão do recesso do Legislativo. Ele afirmou, porém, que Dilma entende que essa é uma prerrogativa tanto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quanto da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Divergências. Na coletiva, o ministro minimizou o racha no PT e afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “vai entrar de corpo e alma” na defesa da presidente Dilma Rousseff por ser um “lutador da democracia e defensor do governo”. “Ele está no Rio, falei com ele agora há pouco (...) se não me engano está viajando segunda para o exterior não sei com que agenda, mas logo que voltar estará reunido com presidentes das centrais e militantes”, afirmou.

Wagner minimizou as divergências entre membros do PT e disse que o partido não “é de uma nota só”. “Eu acho que isso é pro bem e para o mal, não é samba de uma nota só, não é todo mundo bonequinho de chumbo, temos uma pluralidade e uma diversidade extremamente positiva”. 

Após ser informado ontem da abertura do pedido de impeachment, o ex-presidente teria telefonado para Dilma e dito que o governo tem condições de recompor sua base e derrubar o impeachment, reunindo 171 votos no plenário. Nas fileiras do PMDB, porém, muitos estranharam o comportamento de Lula, que lavou as mãos e não enquadrou o PT no episódio de enfrentamento ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Nesta quinta, em uma agenda no Rio, Lula disse que está indignado com o deferimento do pedido de impeachment e que Cunha colocou seus interesses pessoais acima dos interesses do País. "A tarefa maior neste instante é não permitir que essa loucura que o Eduardo Cunha fez ontem tenha prosseguimento.”

 

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