Jaques Wagner diz que pilares do governo estão mantidos

O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, considerou que o presidente Lula agiu com rapidez ao demitir o ministro da Fazenda e o presidente da Caixa Econômica Federal, apesar de a crise já se arrastar há mais de dez dias. Em entrevista ao "Jornal das Dez", da Globo News, Wagner disse que "o projeto (de governo) é maior do que as pessoas" e que os pilares do governo estão mantidos. "Na medida em que se consolidou a confirmação de que havia o envolvimento tanto do presidente da Caixa - que declarou isso à Polícia Federal - como do ministro da Fazenda, a quem ele disse que entregou o extrato, não havia como manter nenhum dos dois no cargo", afirmou Wagner. "Eu acho que o presidente foi extremamente preciso ao imediatamente fazer as duas modificações."Wagner negou que o governo esteja enfraquecido com a saída de dois dos principais integrantes do governo Lula, os ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci. "Eu creio que os pilares do governo são exatamente os valores em torno dos quais você reúne uma equipe. Os valores são a busca do desenvolvimento e a busca da diminuição da desigualdade", salientou o ministro das Relações Institucionais. Ele ponderou que tanto a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como Guido Mantega têm condições de dar continuidade ao programa de governo, que é feito em equipe sob a coordenação do presidente da República. "Então, eu creio que não há nenhuma solução de continuidade", observou Wagner, ressalvando que o novo ministro poderá fazer uma ou outra alteração na equipe. "O fundamental é o que o novo ministro inclusive colocou na sua entrevista que os pilares da política econômica estão mantidos e que quem dá a garantia a eles é exatamente o presidente da República."DesmancheO ministro das Relações Institucionais negou que esteja ocorrendo um desmanche do governo e do próprio Partido dos Trabalhadores. "Eu não concordo. Eu creio que o PT e outros partidos que militam em torno do presidente Lula têm quadros de absoluta consistência e que, portanto, podem substituir este ou aquele que se afasta do governo", disse. Ele procurou dar um tom de otimismo para os últimos meses do atual governo, prevendo que o País deverá crescer em torno de 4% em 2006, com geração de 1,5 milhão de novos empregos com carteira assinada. "Eu acho que este é um governo que se afirma. E muitas vezes o governo se mostra forte exatamente no momento em que o presidente da República substitui com a rapidez de duas ou três horas um ministro da Fazenda e a continuidade do governo se dará", sustentou o ministro. "Então, as pessoas são importantes, mas o projeto é maior e nele comportam mudanças como esta que aconteceu no dia de hoje (ontem)."

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