Jaques Wagner diz que Executivo deve alcançar 250 votos para evitar impeachment

Em entrevista à GloboNews, o chefe da Casa Civil rebateu afirmação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de que o governo poderia ter até um terço dos votos contra o processo na Casa

Daniel Galvão, O Estado de S. Paulo

29 de dezembro de 2015 | 23h30

O chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou nesta terça-feira, 29, que o governo deve conseguir a metade dos votos na Câmara dos Deputados para impedir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Um terço dos votos contra o impeachment significa 250 deputados, acima dos 171 indispensáveis para frustrar o processo de impedimento de Dilma.

Mais cedo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que o governo pode até ter um terço dos votos, mas que "não significa que adquira governabilidade, vão ser três anos de governo capenga".

Em entrevista ao Jornal das Dez, do canal GloboNews, Wagner rebateu Cunha. "Ele já fala que nós vamos passar porque ele já reconhece que nós teremos. Eu não acho que nós teremos um terço. Eu acho que nós teremos mais do que um terço. Creio que a gente pode ter a metade dos votos. É a situação ideal? Não. Eu acho que uma situação ideal é você ter uma base consolidada de 280, 290, 300. Que é o que você precisa para conduzir o seu governo", afirmou o chefe da Casa Civil.

Conforme o ministro, quando o impeachment, o qual chamou de "tapetão artificial", for enterrado, a presidente ganhará muito mais musculatura política. "Todo mundo já se deu conta de que o impeachment como bandeira não vai levar a lugar nenhum", disse.

Wagner admitiu também que 2015 foi um ano difícil, sobretudo na economia. No entanto, de acordo com ele, "impopularidade não é crime". Wagner pregou ainda uma administração de "unidade nacional" contra a crise econômica. Segundo o chefe da Casa Civil, é preciso "ter a capacidade de acolher sugestão que venha de outros segmentos, inclusive da oposição".

O ministro também comentou comunicado do presidente nacional do PT, Rui Falcão, que pediu ousadia na política econômica. "É claro que seria melhor receber elogio, mas quem chega ao poder não pode reclamar de quem reclama." Para Wagner, os movimentos sociais também são como o partido: "Vieram, disseram que são contra a quebra, mas que estão atrás de emprego e melhoria de renda".

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