João Mattos
João Mattos

Jaques Wagner diz não ver motivo para afastamento imediato de tesoureiro

‘Se tiver culpas do partido, tem que saber onde errou e como se trabalha para não errar de novo’, afirmou ministro da Defesa

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 13h43

RIO - O ministro da Defesa, Jaques Wagner, afirmou no início da tarde desta quarta-feira, 15, que, “pessoalmente”, não vê motivo para o afastamento imediato do PT do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, preso de manhã em mais uma fase da Operação Lava Jato. Vaccari é acusado de captar dinheiro de origem ilícita para o PT desde 2004, inclusive para as campanhas eleitorais da presidente Dilma Rousseff em 2010 e em 2014.

“Eu não sou muito do estilo de que, na suspeita, a gente vai logo se livrando. Não acho que por aí se resolve nada. Se tiver culpas do partido, ele tem que revisitar, e vai fazê-lo agora no seu congresso. Tem que saber onde é que errou e como é que se trabalha para não errar de novo”, disse o ministro em entrevista coletiva durante uma feira de defesa e segurança, no Rio.


Antes da declaração, o ex-governador da Bahia frisou que não falava em nome do governo nem do PT. Ele defendeu uma reforma política que “acabe ou limite muito” o financiamento privado de campanha e afirmou que escândalos não se limitam ao seu partido.

“Quero deixar bem claro aqui que não falo como governo, porque a investigação corre sob responsabilidade da Justiça Federal e do Ministério Público Federal, e nós estamos mantendo o tempo todo a independência e a harmonia entre os poderes, então não me cabe aqui fazer juízo de valor sobre a detenção. Imagino que o MP e o juiz Sérgio Moro apresentarão aos advogados e depois publicamente os motivos da detenção”, declarou o ministro. 

“Como petista, (penso que) qualquer partido brasileiro é entidade de direito privado, portanto o Vaccari não faz parte do governo. Pessoalmente, não estou dizendo que essa é a posição do partido, porque eu sei que tem pessoas que pensam diferente, eu não vejo motivo, a não ser pela impossibilidade dele exercer seu cargo, que ele tenha que sair até que se concluam definitivamente as investigações.”

Reforma política. O titular da Defesa voltou a defender uma reforma política e afirmou que a legislação eleitoral está viciada e superada. “Se quisermos não nos assustar com outros episódios semelhantes, acho que a bandeira é a da reforma política, porque a máquina de fazer política está viciada. Não é um escândalo. A coisa errada é que a legislação política e eleitoral brasileira está superada, viciada. Tem que punir quem ficou comprovado que cometeu crime e preparar um ambiente mais sadio para o exercício da política, que não pode ser caso de polícia. Se ela em alguns momentos está sendo, então tem algum equívoco, até porque não é prerrogativa do meu partido. Está errado financiamento de campanha, está errado coligação proporcional, está errado o mercado do tempo de televisão.”

Sobre a presidente Dilma Rousseff, o petista afirmou que, “se tem alguém que está distante disso tudo, é ela”. “Algumas coisas não colam, mesmo que a oposição queira. Naquela senhora, isso não tem aderência.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.