Jaqueline vai aos EUA sem autorização e falta à reunião do Conselho de Ética

Indicação de deputada envolvida no ‘mensalão do DEM’ a fórum internacional foi vetada pela Câmara, mas ela viajou mesmo assim

Eduardo Bresciani, do Estadão.com.br

18 de maio de 2011 | 21h38

BRASÍLIA - Investigada no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, Jaqueline Roriz (PMN-DF) foi indicada pela Comissão de Relações Exteriores para representar a Casa em um fórum internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque (EUA). A indicação não foi aceita pela Presidência da Casa, mas a deputada viajou mesmo assim.

 

Em ofício, presidente da Comissão de Relações Exteriores indica Jaqueline para viagem

 

Jaqueline Roriz responde a processo no Conselho devido ao vídeo de 2006 no qual aparecer recebendo um pacote de dinheiro do delator do "mensalão do DEM", Durval Barbosa. Para salvar o mandato, a deputada argumenta que o fato é anterior a sua posse. Ela já admitiu, porém, que o dinheiro foi usado para caixa 2 de campanha eleitoral.

 

A viagem acontece na semana em que o Conselho de Ética desejava tomar seu depoimento sobre as denúncias. A parlamentar, porém, já tinha avisado que não compareceria ao colegiado e daria explicações somente por escrito.

 

Relator do processo contra Jaqueline, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) critica a atitude da colega. "Uma deputada representada no Conselho de Ética pela prática de fato tido como indecoroso não pode pedir licença para representar a Câmara", disse.

 

A polêmica indicação foi pedida pela deputada ao presidente da Comissão, Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Ele concordou e, no dia 4 de maio, assinou ofício para que Jaqueline e Dalva Figueiredo (PT-AP) representassem a Câmara no Fórum Permanente para Comunidades Indígenas no âmbito do Conselho Econômico e Social da ONU.

 

O requerimento previa uma viagem de 16 a 27 de maio. Dalva pediu que a Câmara pagasse suas despesas, enquanto Jaqueline queria apenas o status de viajar em "missão oficial" e o consequente abono de suas faltas.

 

Leréia está na Coreia do Sul em missão oficial e não foi localizado para comentar o caso.

 

O ofício da Comissão de Relações Exteriores chegou à Presidência da Câmara no dia 5 de maio. O presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), viajou na quinta-feira passada sem analisar o de Jaqueline.

 

A questão chegou na sexta-feira passada, 13, às mãos da presidente interina, Rose de Freitas (PMDB-ES). Ela se recusou a dar a autorização e a decisão foi comunicada informalmente ao gabinete de Jaqueline. Conforme praxe da Casa, pedidos de viagens não são indeferidos formalmente. Quando não se concorda com uma viagem, simplesmente não se concede o deferimento.

 

O gabinete de Jaqueline pediu que a decisão fosse reconsiderada, mas Rose de Freitas manteve sua posição. A assessoria de Jaqueline afirma que o contato informal foi feito apenas na noite do dia 13, quando a deputada já estava para embarcar.

 

Ela seguiu viagem mesmo sem ter a condição de representante oficial da Câmara. Sua assessoria afirma que ela está participando do evento como observadora e que ainda aguarda uma resposta formal da Casa.

 

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