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Janot vai denunciar Joesley

Procurador-geral da República vai incluir o homem da J&F na denúncia por obstrução da Justiça que vai apresentar contra Michel Temer antes de passar o bastão a Raquel Dodge

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2017 | 03h00

Com a imunidade criminal de Joesley Batista suspensa, Rodrigo Janot vai incluir o homem da J&F na denúncia por obstrução da Justiça que vai apresentar contra Michel Temer antes de passar o bastão a Raquel Dodge. Integrantes do Ministério Público Federal dizem que a denúncia contra Joesley deve ser um fator a reforçar a denúncia, pois dificulta uma das linhas de defesa de Temer até aqui: a de que os benefícios concedidos aos delatores da J&F foram excessivos.

É evidente que essa inclusão de Joesley é, na verdade, uma reação de Janot à saraivada de críticas de que tem sido alvo desde que vieram à tona as irregularidades e suspeitas de ilegalidades cometidas na gênese do acordo de colaboração do núcleo da J&F.

Essa imputação de obstrução da Justiça será feita com base no depoimento do próprio Joesley e também na delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que foi homologada recentemente pelo ministro Edson Fachin. Janot ainda não definiu com a equipe se apresentará uma ou duas denúncias contra Temer, mas já bateu o martelo de que serão dois os crimes imputados a ele.

O procurador-geral da República viu no relatório da Polícia Federal no inquérito do chamado “quadrilhão” do PMDB “substância” para denunciar o presidente da República também por organização criminosa. Segundo interlocutores do chefe do MPF, o relatório da PF mostra uma “dinâmica mais clara” de como se davam a hierarquia e a divisão de tarefas no núcleo do PMDB da Câmara, que seria comandado por Temer, de acordo com a narrativa que deverá sustentar a denúncia.

RETA FINAL

PGR não vai pedir buscas no exterior

Os acordos de cooperação entre os Ministérios Públicos e a Justiça dos Estados Unidos e do Brasil permitiriam a Rodrigo Janot solicitar buscas em imóveis ligados a Joesley Batista, Ricardo Saud e outros executivos da J&F em Nova York e outras cidades. Isso poderia ajudar a elucidar, por exemplo, se há realmente áudios comprometedores guardados fora do País. Mas a falta de tempo foi a razão evocada por auxiliares do PGR para a falta de providências nesse sentido. Vai ficar, se for o caso, para Raquel Dodge.

ACORDO

Chance de manter delação será pena em regime fechado

A imunidade penal a Joesley e companhia será revogada em definitivo. A única chance que ministros e procuradores veem de que seja mantido algum acordo de colaboração será os delatores aceitarem cumprir parte da pena em regime fechado. E pararem de fazer barganha com provas, que pode levar ao cancelamento total do benefício e agravamento das penas.

FUNDO ELEITORAL

Valor proposto supera 6 anos de Fundo Partidário

O valor inicialmente proposto pelo relator da reforma política na Câmara, Vicente Candido (PT-SP), para o fundo público que financiaria as eleições (R$ 3,6 bilhões) supera o total distribuído a todos os partidos do País de 2010 a 2016 pelo Fundo Partidário. A cifra total foi de R$ 3,2 bilhões. No topo da lista dos que mais receberam recursos (veja tabela) estão os partidos que estão no centro da Lava Jato: PT, PMDB e PSDB. 

RUMO A 2018

Alckmin vai a Minas, mas quer evitar Aécio

Em campanha para ser o candidato do PSDB à Presidência em 2018, Geraldo Alckmin fará duas viagens a Minas em datas próximas. Mas o governador paulista pretende evitar a companhia do presidente licenciado da legenda, Aécio Neves, alvo da Lava Jato, nas visitas. No dia 18 ele participa de evento da Fiemg com empresários, ao qual o senador não irá. A saia-justa seria no dia 29, em Contagem, num ato do partido ao qual Aécio pretende comparecer.

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