Andre Dusek/ESTADÃO
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Janot pede 'reflexão' sobre reforma política em evento com Cunha e Renan

Procurador-geral da República afirmou que 'alterar procedimentos e sistemas eleitorais sem reflexão pode facilmente conduzir a um falseamento da vontade popular a partir de regras que provoquem impermeabilidade da representação política'

Beatriz Bulla e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2015 | 22h49

Brasília - Na semana em que o Congresso discute pontos da reforma política, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez um apelo para que mudanças no sistema político sejam feitas mediante "reflexão". Para Janot, é preciso ter cautela para não promover alterações no sistema eleitoral que prejudiquem a vontade da sociedade.

"Alterar procedimentos e sistemas eleitorais sem reflexão pode facilmente conduzir a um falseamento da vontade popular a partir de regras que provoquem impermeabilidade da representação política", afirmou o procurador-geral. A fala aconteceu durante evento no Tribunal Superior Eleitoral, enquanto Janot dividia bancada de autoridades com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O procedimento eleitoral, de acordo com o procurador-geral, precisa ser "eficiente, correto, crível e dirigido a garantir a liberdade e a igualdade do voto".

Janot mencionou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta semana que afastou a aplicação da fidelidade partidária a cargos majoritários. Pela decisão do Supremo, senadores, governadores e presidente da República não perdem o mandato no caso de mudarem de partido. O procurador-geral da República classificou como "relevante" a decisão.

Cerimônia. A cerimônia solene realizada na noite desta quinta-feira, 28, em comemoração aos 70 anos da reinstalação Justiça Eleitoral promoveu o encontro entre investigador e investigados na Operação Lava Jato. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que conduz inquéritos contra políticos supostamente envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras, dividiu a bancada de autoridades com dois investigados: os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Janot sentou ao lado de Calheiros e a cinco cadeiras de Cunha, quem tem protagonizado ataques ao procurador-geral. O presidente da Câmara acusa Janot de conduzir as investigações de forma "pessoal".

Na plateia, quase em frente ao procurador-geral, sentaram-se outros dois parlamentares investigados na Lava Jato: os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Edison Lobão (PMDB-MA). Janot, que irá passar por processo de recondução ao cargo de procurador-geral nos próximos meses e precisará da aprovação do Senado, foi chamado por Collor de "chantagista" após solicitar a quebra de sigilo fiscal e bancário do parlamentar.

O ministro Teori Zavascki, relator da operação no Supremo e responsável pelo julgamento dos políticos, assistiu a cerimônia ao lado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. 

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