Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mesmo após denúncia, Janot quer que investigações contra grupo de Collor continuem

Nova apuração é um desdobramento da denúncia da Procuradoria contra o senador e mais quatro pessoas na Operação Lava Jato

Talita Fernandes, Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 23h10

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a continuidade das investigações contra um grupo que envolve o senador Fernando Collor (PTB-AL). O pedido foi feito à Corte junto à oferta de denúncia contra o senador - acusado de ter recebido R$ 26 milhões em propina - e outras quatro pessoas ligadas a ele. A Procuradoria apura se o grupo cometeu crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, peculato (desvio de recursos públicos) e crimes em licitação no âmbito da Operação Lava Jato. Ao oferecer a denúncia, Janot pediu que a acusação fosse desmembrada do inquérito para permitir que a apuração de crimes continue em andamento.

Além do ex-presidente Collor, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pede que continuem sendo investigados o ex-ministro do governo Collor Pedro Paulo Leoni,  dois servidores que ocupam cargo comissionado no Senado Federal: Cleverton Melo da Costa e Fernando Antônio da Silva Tiago e Luís Pereira Duarte de Amorim, visto como "administrador" de empresas de Collor e ligado à TV Gazeta de Alagoas. Todos já foram denunciados pela PGR junto com Collor na última quinta-feira (20).

De acordo com a Procuradoria, os dois assessores efetuaram "operações suspeitas" de lavagem de dinheiro por meio de depósitos em espécie feitos em favor de empresas do Collor e que somariam um total de R$ 1,3 milhão. Para investigadores, os valores em espécie "provavelmente têm origem no esquema criminoso investigado". Cleverton é assessor de Collor no senado desde 2007.

 

A investigação é um desdobramento da denúncia oferecida por Janot contra o grupo. Os fatos que a Procuradoria considerou que já possuem amadurecimento suficiente de investigação foram incluídos na acusação formal. Já os crimes que ainda precisam ser investigados com mais profundidade continuam em apuração no inquérito. Os dois procedimentos - tanto as investigações quanto uma eventual ação penal contra Collor, no caso de a denúncia ser recebida pelo STF - devem correr paralelamente no Tribunal.

 

As defesas de Collor e de Pedro Paulo Leoni afirmaram ainda não ter conhecimento sobre a continuidade do inquérito. Os advogados de Cleverton Melo Costa, Fernando Antônio Silva Tiago e Luís Pereira Duarte Amorim não foram localizados.

 

Críticas. Nesta segunda-feira (24), a dois dias da sabatina que pode levar o chefe do Ministério Público Federal (MPF) a um novo mandato de dois anos, Collor chamou o procurador-geral da República de "fascista da pior extração". O senador disse não ter como questionar a denúncia de Janot pelo fato de a peça estar sob segredo de Justiça e que o único objetivo do chefe do MPF é "constranger" o Senado às vésperas da sabatina. O ex-presidente, que chamou Janot de "sujeitinho à toa" e "figura tosca" afirmou que ele não é dotado da "conduta moral" que se exige para o cargo. 

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