Janot pede abertura de investigação contra Bethlem

O deputado disse à ex-mulher ter renda mensal de cerca de R$ 100 mil, quando recebia salário de R$ 18 mil mensais

LUCIANA NUNES LEAL, Estadão Conteúdo

06 de agosto de 2014 | 17h29

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de investigação criminal contra o deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ), flagrado em vídeos nos quais admite receber comissões ilegais de ONGs prestadoras de serviços à prefeitura do Rio. Em documento de quatro páginas enviado no dia 30 de julho ao Supremo, e divulgado nesta quarta-feira, 6, pela Procuradoria Geral da República (PGR), Janot sustenta que há indícios de corrupção passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Em gravações feitas pela ex-mulher, Vanessa Felippe, Bethlem revela que tem uma conta bancária na Suíça, não informada à Receita Federal.

O deputado disse à ex-mulher ter renda mensal de cerca de R$ 100 mil, quando recebia salário de R$ 18 mil mensais. Há suspeita de que o parlamentar tenha recebido propina de cerca de R$ 80 mil mensais da ONG Casa Espírita Tesloo, que tinha uma série de contratos com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ocupada por Bethlem entre 2011 e 2012. As gravações foram feitas por Vanessa neste período e divulgadas na semana passada pelas revistas "Época" e "Veja". Bethlem anunciou a desistência de concorrer à reeleição este ano, mas não abriu mão do mandato de deputado e, por isso, tem foro privilegiado e só pode ser investigado criminalmente pela PGR e julgado pelo STF, a quem cabe autorizar ou não a abertura de inquérito criminal. O procurador pede quebra de sigilo fiscal de Bethlem e da Tesloo. Solicita ainda ao Supremo que peça à Polícia Federal informações sobre viagens do deputado ao exterior nos anos de 2010 e 2011. Bethlem também será investigado pela Câmara dos Deputados, a pedido do PPS e do PSOL.

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