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Janot nega vazamento de informações na Lava Jato e diz que Ministério Público não é 'justiceiro'

Para o procurador-geral, o MP não é beneficiado com vazamentos; ele fez um discurso forte em Brasília, respondendo a críticas de que priorizaria inquéritos de alguns políticos

Gustavo Aguiar e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2016 | 13h23

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em um pronunciamento durante um evento em Brasília que reuniu integrantes do Ministério Público nesta sexta-feira, 10, negou que o órgão tenha sido responsável por vazamentos da Operação Lava Jato. Em um discurso forte e direcionado a responder críticas, ele afirmou que ninguém está acima da lei e que o Ministério Público "não é justiceiro".

Janot fez menção direta à divulgação recente dos pedidos de prisão contra quatro os principais nomes do PMDB - os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, além do ex-presidente José Sarney e o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha - e chamou de "levianas" as acusações de que o vazamento teria saído da própria Procuradoria-Geral da República (PGR) como forma de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a mandar prender os políticos. Ele apontou que a teoria foi disseminada por "figuras de expressão nacional, que deveriam guardar imparcialidade e manter o decoro".

"O vazamento não foi da PGR. Aliás, envidarei todos os esforços que estiverem ao meu alcance para descobrir e punir quem cometeu esse crime. Como hipótese investigativa inicial, vale a pergunta: A quem esse vazamento beneficiou? Ao Ministério Público não foi", disse. Sem citar nomes, o ministro do STF Gilmar Mendes, nesta semana, criticou os vazamentos, disse que o caso trata-se de uma "brincadeira" com a Suprema Corte e "abuso de autoridade", dando a entender que as informações teriam sido divulgadas pela PGR. 

Em resposta às críticas de que dá prioridade a inquéritos contra políticos específicos e se concentra em investigar membros de determinados partidos em detrimento de outros, Janot disse que não faz distinção entre os investigados. "Jamais permiti que preferências pessoais ou partidárias se homiziassem nas atividades profissionais". 

"Nunca terei transgressores preferidos, como bem demonstra o leque sortido de autoridades investigadas e processadas por minha iniciativa perante a Suprema Corte. Da esquerda à direita; do anônimo às mais poderosas autoridades, ninguém, ninguém mesmo, estará acima da lei, no que depender do Ministério Público", completou.

Justiceiro. O procurador-geral da República disse cumprir com o dever estrito da função que exerce e que não hesitará em investigar, processar e buscar a punição de corruptos, sem, no entanto, se desviar da lei. "Ser Ministério Público não é ser justiceiro. Rechaço enfaticamente a possibilidade de agir motivado por objetivo que não seja o cumprimento isento da missão constitucional que me cabe desempenhar como membro do Ministério Público". 

Janot também fez um balanço sobre o trabalho no Ministério Público, destacou as dificuldades para chegar até o cargo e afirmou que nunca buscou ser unanimidade na vida pública. "Nunca esperei que, nesse árduo trabalho, fosse possível ao Ministério Público passar incólume a críticas, nem que me fosse dado pairar sobranceiro aos interesses de fortes estruturas que parasitam o Estado e se beneficiam há décadas da usurpação do patrimônio de todos".

Eleições. Janot também rebateu as especulações de que as medidas que estava tomando à frente da Procuradoria-Geral da República teriam como objetivo cacifá-lo para concorrer à Presidência em 2018. Ele afirmou que vai se aposentar assim que terminar deixar o cargo, em 1 ano e quatro meses. "Reafirmo, aqui, que não serei candidato a qualquer cargo eletivo seja no Executivo, seja no Legislativo", disse.

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