Janot indica que governo não deve ter acesso a depoimento de Paulo Roberto Costa

Procurador-geral da República afirma que sigilo "é absoluto para todos" e que processo de ex-diretor ainda não chegou na PGR

BEATRIZ BULLA, Estadão Conteúdo

15 de setembro de 2014 | 12h13

Brasília - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, indicou nesta segunda-feira, 15, que não deve atender o pedido do governo para ter acesso ao conteúdo da delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto da Costa, preso na Operação Lava Jato. 

"O sigilo é absoluto para todos", afirmou Janot ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, nesta manhã, ao ser questionado sobre a solicitação feita pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para receber os depoimentos de Costa. Na semana passada, Cardozo se encontrou com o procurador-geral para reforçar o pedido, a justificativa é de que os documentos poderão possibilitar que sejam tomadas medidas corretivas pelo Executivo. 

Ao falar com a imprensa durante evento organizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Janot afirmou que documentos relativos ao processo do ex-diretor da estatal ainda não chegaram à PGR. "Até agora não (chegou nenhum documento). A investigação segue normalmente", disse Janot. 

"Se houver alguém com prerrogativa de foro, os documentos todos devem vir para a PGR e para o Supremo Tribunal Federal", afirmou, sem especificar em qual momento os documentos precisariam ser remetidos a Brasília. "A estratégia da investigação quem diz é o investigador", afirmou. Atualmente, o processo corre na 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná.

Nos depoimentos à PF, Paulo Roberto Costa citou deputados federais, senadores, governadores e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, como envolvidos em suposto esquema de cobrança de propina nos contratos da Petrobrás, conforme divulgado pela imprensa.

Janot, contudo, evitou comentar o conteúdo dos depoimentos: "Eu não sei nem se está em processo de delação premiada. Não podemos levar investigação de um caso profundo como esse com base em fatos veiculados pela imprensa", disse. 

"No momento oportuno, quando estiver amadurecida a investigação, tomaremos as decisões da melhor maneira possível para que se possa prosseguir na apuração dos fatos", afirmou o procurador. 

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