Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Janot fala em 'pressão' e diz que investigação da Lava Jato é impessoal

Procurador-Geral da República rebate acusações do presidente da Câmara Eduardo Cunha de que ele teria escolhido quem investigar

Beatriz Bulla, Bernardo Caram, Talita Fernandes, Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2015 | 16h40

Brasília – Alvo de ataques por parte do presidente daCâmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o procurador-geral da República,Rodrigo Janot, se defendeu nesta tarde das acusações de que tem conduzido asinvestigações da Operação Lava Jato com parcialidade. “O trabalho está sendoimpessoalmente conduzido”, disse Janot, sobre as investigações de políticos quecorrem perante o Supremo Tribunal Federal, nas quais Cunha é investigado porpossível participação no esquema deflagrado pela Operação Lava Jato. Desde aabertura do inquérito no STF, o presidente da Câmara acusa Janot de “escolher aquem investigar” e de existir “uma querela pessoal”.

“O trabalho é absolutamente impessoal, profissional e não temoutro objetivo que não seja a elucidação dos fatos”, disse Janot nesta tarde,em cerimônia de restituição simbólica à Petrobras de R$ 157 milhões desviados erepatriados pelo Ministério Público Federal após acordo de colaboração premiadafirmada com o ex-gerente da estatal Pedro Barusco.

Janot pediu que a equipe que conduz as investigações mantenha ofoco e a calma, mesmo sob pressão, sem citar nominalmente nenhum dos políticosinvestigados. “Nesse momento de turbulência queria lembrar a todos que estãoenvolvidos nesse processo, por mais pressão que possa existir, que temos queter muita calma, foco no que se busca”, disse Janot, citando ainda música docompositor Walter Franco:  “É tudo uma questão de manter a mente quieta, aespinha ereta e o coração tranquilo”.

Atualmente, 50 pessoas estão sob investigação perante o STF,conduzida pela Procuradoria-Geral da República, entre eles 48 políticos e doisoperadores do esquema. Janot frisou, durante sua fala, que a investigação dospolíticos teve início em 16 de janeiro neste ano e se trata de apuração“ostensiva”. “Acho que os resultados são visíveis”, disse o procurador-geral.

Petrobrás. O coordenador da força-Tarefa formada por integrantesdo Ministério Público Federal que atuam na Operação Lava Jato em questõesreferentes à Justiça Federal de Curitiba, Deltan Dallagnol, destacou acontribuição da Petrobrás durante as investigações. “Temos certeza que a imensamaioria dos servidores da Petrobras é honesta e tem o sonho de reconstruir essacompanhia”, disse Dallganol.

O procuradorafirmou que o Ministério Público Federal já propôs ações na Justiça deressarcimento de ao menos R$ 6 bilhões e que já há cerca de R$ 1 bilhão emvalores bloqueados. 

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