Janot diz que políticos do PT, PMDB e PP usaram partidos para 'práticas espúrias'

Ao pedir a separação do principal inquérito da Lava Jato no STF, procurador-geral da República aponta crimes cometidos por políticos de diferentes siglas

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2016 | 20h55

Brasília - Ao pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o fatiamento do maior inquérito da Operação Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que políticos do PT, PMDB e PP usaram os partidos para “perpetração de práticas espúrias”.

“Alguns membros de determinadas agremiações se organizaram internamente, utilizando-se de seus partidos e em uma estrutura hierarquizada, para perpetração de práticas espúrias. Nesse aspecto há verticalização da organização criminosa. Noutro giro, a horizontalização é aferida pela articulação existente entre alguns membros de agremiações diversas, adotando o mesmo modus operandi e dividindo as fontes de desvio e arrecadação ilícita”, escreveu o procurador-geral da República.

Na quarta, Janot pediu que o inquérito que apura a formação de uma organização criminosa por políticos e empresários para viabilizar o esquema de corrupção na Petrobrás seja dividido em quatro partes. Oficialmente, 39 pessoas são alvo do inquérito, mas há cerca de cinco meses Janot pediu a inclusão de quase 30 novos nomes na apuração, dentre eles o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. 

No documento encaminhado ao STF, Janot destacou que, em um primeiro momento, entendeu ser necessária a investigação do núcleo político de forma concentrada. O inquérito foi aberto em março de 2015. Agora, segundo o procurador-geral da República, o fatiamento da investigação vai permitir a “otimização” dos trabalhos. 

 

“Embora, até o momento, tenha sido desvelada uma teia criminosa única, mister, para melhor otimização do esforço investigativo, a cisão do presente inquérito tendo como alicerce os agentes ligados aos núcleos políticos que compõem a estrutura do grupo criminoso organizado”, escreveu o procurador-geral da República. “Com isso, poderá ser atribuída ordenação e organização das ações, melhor controle e percepção da realidade criminosa, melhor avaliação das hipóteses e racionalização dos meios a serem empregados durante os trabalhos”, completou.

 

Investigados. Janot pediu para manter na investigação já em trâmite nomes ligados ao PP e abrir outras três frentes de investigação: uma relacionada ao PT, uma ao PMDB na Câmara e uma quarta relativa ao PMDB no Senado.  

 

Ficaram no inquérito relacionado ao PP 30 parlamentares, ex-parlamentares e operadores, como o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro; o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI) e o vice presidente da Câmara, Waldir Maranhão (MA).

A parte do PT reúne 12 pessoas: Lula; o ex-tesoureiro da sigla João Vaccari Neto; os ex-ministros Edinho Silva, Ricardo Berzoini, Jaques Wagner, Antônio Palocci, Erenice Guerra; o ex-assessor pessoal da Presidência Giles de Azevedo; o ex-assessor Delcídio Amaral; o empresário José Carlos Bumlai; o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli; e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto.

O inquérito relacionado ao PMDB do Senado ficará inicialmente com 9 investigados, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); os senadores da sigla Edison Lobão (MA), Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA) e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

E o do PMDB na Câmara tem 15 pessoas no alvo, entre eles o deputado cassado Eduardo Cunha e um grupo de parlamentares considerados aliados ao peemedebista; o ex-ministro Henrique Eduardo Alves; e o banqueiro André Esteves. Sobre o grupo de peemedebistas que atuaram na Câmara, Janor escreveu que foi verificada atuação “diretamente na indicação política de pessoas para postos importantes da Petrobras e da Caixa Econômica Federal. Além disso, eram responsáveis pela ‘venda’ de requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar, ao menos, empreiteiras e banqueiros”. 

 

O pedido de divisão da investigação e inclusão dos nomes solicitados em maio ainda será analisado pelo ministro Teori Zavascki, relator da investigação perante o STF. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.