Fabio Motta/Estadão
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Janot argumenta que Youssef não confirmou versão sobre Anastasia na Lava Jato

Pedido de arquivamento do inquérito contra senador tucano diverge da solicitação de novas investigações feita pela Polícia Federal

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2015 | 18h56

Brasília - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, argumentou a inexistência de "substrato probatório mínimo" para que o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) continuasse a ser investigado por suposto envolvimento na Operação Lava Jato. No último dia 27, o procurador encaminhou pedido de arquivamento do inquérito contra o senador ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido ainda precisa ser analisado pelo ministro Teori Zavascki, relator do caso. 

No parecer endereçado ao Supremo, o procurador-geral argumenta que o doleiro Alberto Youssef não confirma a fala do ex-delegado da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido com Careca. Em depoimento prestado aos investigadores da Lava Jato, em novembro de 2014, Careca disse que entregou remessas de dinheiro vivo a um político em Belo Horizonte "que se assemelhava" a Anastasia.

Inicialmente Careca não soube dizer o nome do político ao qual o dinheiro era direcionado, mas depois teria reconhecido o tucano em uma foto. Em depoimentos prestados por Youssef, para quem Careca fazia as entregas de dinheiro, o doleiro disse não conhecer Anastasia e negou que tenha pedido entrega ao senador tucano. Em oitiva de Careca no dia 22 de maio deste ano, ele preferiu ficar em silêncio e não detalhou o suposto pagamento ao então investigado.

"Quando do pedido de abertura do presente inquérito perante essa Corte, apontou-se que os elementos trazidos por Jayme Alves de Oliveira Filho exigiam aprofundamento em relação a Antônio Augusto Junho Anastasia", escreveu Janot no pedido, explicando que, contudo, os elementos eram suficientes para averiguação, mas "pendentes de confirmações e detalhamentos".

O parecer de Janot diverge do pedido apresentado pela PF, que solicitava o cumprimento de outras diligências, como levantamento de eventuais pagamentos emitidos pelo governo de Minas Gerais a empresas do doleiro Alberto Youssef em 2010, quando o Estado foi administrado pelos hoje senadores tucanos Aécio Neves (até março) e Antônio Anastasia (a partir de abril). Contudo, Janot alega que tais levantamentos, ainda que fossem realizados, não serviriam para comprovar as suspeitas levantadas por Careca, que afirmou que os repasses foram feitos em dinheiro.

"Com efeito, em razão da não-confirmação de Alberto Youssef a respeito do recebimento de valores pelo Senador da República Antonio Anastasia, aliado ao silêncio de Jayme (decorrendo também a não-confirmação das declarações iniciais que deram maior embasamento à instauração do inquérito em tela)", diz Janot em pedido enviado ao Supremo.

Contudo, Janot ressalta que os pontos levantados por ele "não inviabilizam que, caso, no futuro, surjam dados minimamente objetivos que justifiquem e permitam uma apuração em relação ao Senador, se retorne as investigações".  

O procurador-geral rejeitou o pedido de prorrogação de inquérito encaminhado pela Polícia Federal em junho à Procuradoria. 

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