Antonio Cruz|Agência Brasil
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Janot aponta indícios de que ministro da Educação recebeu propina

Procurador-geral relaciona imagem encontrada em celular de ex-diretor da UTC com o nome de Mendonça Filho a repasses de construtoras

GUSTAVO AGUIAR E ISADORA PERON, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2016 | 22h13

Brasília - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) haver indícios de que o ministro da Educação e deputado federal licenciado, Mendonça Filho (DEM-PE), recebeu propina do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato durante a campanha eleitoral de 2014.

A foto de uma transcrição com os detalhes de um repasse de R$ 100 mil em nome do ministro foi encontrada em um dos celulares do ex-diretor da UTC Walmir Pinheiro, delator da Lava Jato. Além disso, os investigadores apreenderam um documento do tesoureiro do DEM, Romero Azevedo, registrando o pagamento.

Janot destaca que "é curioso" que, na prestação de contas oficiais da campanha do deputado Mendonça Filho, as construtoras Odebrecht e Queiroz Galvão doaram para o político exatos R$ 100 mil cada uma. A UTC ainda efetuou uma terceira doação, desta vez ao diretório do DEM, no mesmo valor.

"Assim, por estarmos diante de elementos indiciários de possível pagamento de propina para a campanha do citado parlamentar federal, certa é a competência deste STF para a análise e processamento de eventual investigação criminal a respeito", escreve Janot.

A manifestação do procurador-geral da República foi enviada ao STF em 26 de janeiro deste ano no inquérito sobre o envolvimento do ex-ministro-chefe da secretaria de Comunicação Social do governo Dilma, Edinho Silva. O documento era sigiloso e se tornou público nesta sexta (17), após o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, determinar o envio das investigações contra ele ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

No documento, Janot pede que Teori autue o caso envolvendo Mendonça Filho em um procedimento oculto em separado e, em seguida, o submetesse à PGR para analisar a necessidade de abertura de inquérito. Não se sabe, no entanto, se o fato gerou uma investigação contra o ministro.

Envolvidos. Mendonça Filho é o quarto ministro do governo do presidente em exercício Michel Temer a ser envolvido na Lava Jato. Antes dele, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o advogado Fabiano Silveira deixaram os ministérios do Planejamento e da Transparência, respectivamente. Nesta quinta-feira, o ministro Henrique Eduardo Alves pediu demissão do ministério do Turismo por causa de novas implicações no esquema de corrupção da Petrobrás contra ele.

Em nota, a assessoria de imprensa do ministro diz que ele foi procurado por interlocutores da UTC, mas rejeitou a oferta de uma doação de R$ 100 mil, e disse que "se a empresa quisesse doar para o partido o fizesse". Mendonça também afirmou que as doações recebidas pela campanha de 2014, inclusive da Queiroz Galvão e Odebrecht, foram feitas de forma legal e estão registradas na Justiça Eleitoral.

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