Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Janot afirma que não permitirá tentativas de desacreditar Lava Jato

Procurador-geral da República se manifestou após série de reportagens informar que ele condicionou acordo com empreiteiras

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2014 | 13h48

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, divulgou há pouco nota em que afirma que "não permitirá" que prosperem tentativas para desacreditar as investigações e os integrantes da instituição envolvidos com a Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Deflagrada originalmente em março, a ação investiga irregularidades na Petrobrás, que, recentemente, envolveu grandes empreiteiras brasileiras e citou mais de 30 políticos.

A manifestação de Janot ocorre após uma série de reportagens nos últimos dias ter informado que ele condicionou um acordo com empreiteiras envolvidas na operação à confissão dos crimes. Reportagem da IstoÉ deste final de semana diz que Janot teria proposto um acordo às empresas que, na prática, poderia livrar o governo de futuras investigações. Isso porque, se confessassem terem formado um cartel, colocariam o governo no papel de vítima.

Dizendo esclarecer recentes notícias veiculadas na imprensa, e sem se referir diretamente à IstoÉ, o procurador-geral informa que o Ministério Público Federal apura no caso a existência de um "grande esquema criminoso instalado no país", envolvendo oito crimes, entre eles corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude à licitação e formação de cartel, além de atos de improbidade administrativa.

Na nota, Janot disse que, ante a dimensão da rede criminosa, dos montantes de valores envolvidos e por considerar o combate à corrupção uma prioridade para a instituição, em abril de 2014 constituiu uma Força-Tarefa composta por procuradores da República garantindo-lhe todas as condições necessárias para o seu funcionamento. Ele disse que a investigação vem sendo realizada em conjunto com o gabinete dele, que tem a atribuição de processar as autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal.

"Em respeito à função institucional de defender a sociedade e combater o crime e a corrupção, o Ministério Público Federal cumprirá seu dever constitucional e conduzirá a apuração nos termos da lei, com o rigor necessário. O procurador-geral da República não permitirá que prosperem tentativas de desacreditar as investigações e os membros desta instituição", afirmou Janot, na manifestação.

O procurador-geral disse que, até o momento, a investigação revelou a ocorrência de "graves ilícitos" envolvendo a Petrobrás, o que já possibilitou o Ministério Público a adotar as primeiras medidas judiciais. Segundo ele, a utilização da delação premiada tem permitido conferir agilidade e eficiência à coleta de provas, de modo a elucidar todo o esquema criminoso.

"Medidas judiciais continuarão a ser tomadas como consequência dessa investigação técnica, independente e minuciosa. O Ministério Público Federal reafirma seu dever de garantir o cumprimento da lei", conclui a nota.

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