Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

Janelas são fechadas com tapumes em casa de operador da Odebrecht em Genebra

Procurado pela Interpol, Bernard Freyburghaus tenta evitar que movimento de sua casa seja percebido

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 18h52

Genebra - Bernardo Freyburghaus, operador das propinas da Odebrecht e buscado pela Interpol, colocou tapumes nas janelas de seu apartamento em Genebra para evitar que o movimento dentro de seu apartamento na Suíça seja visto. 

Nesta sexta-feira, a reportagem do Estado o procurou no endereço que ele indicou para a polícia brasileira no início do ano, quando foi convocado a depor. Mas ninguém se apresentou depois de a reportagem tocar o interfone. As luzes da cozinha estavam acesas e algumas das janelas estavam abertas. 

Na caixa de correio, seu nome ainda está registrado ao lado de sua mulher, num apartamento de luxo em Genebra e avaliado em US$ 3,5 milhões à beira do rio Ródano. 

Há dois meses, a reportagem do Estado o acompanhou pelas ruas de Genebra. Ao se dar conta que se tratava de um jornalista, ele passou a ofender a reportagem e xingar em plena rua. Freyburghaus insistiu que não conhecia nenhum dos nomes citados na investigação, como os ex-diretores e gerentes da Petrobras. "Não conheço ninguém", disse. 

Ao ser questionado sobre o fato de que os delatores do caso da Petrobras terem o citado, ele apenas alertou que a imprensa estava "sendo usada". "Vocês são uns merdas. Você é um merda", atacou. 

Naquele momento, ele não hesitava em aparecer na janela de seu apartamento e chegava a fazer churrasco.

O Ministério Público, dias depois, pediria que a Suíça o interrogasse e ainda congelasse seus bens por conta de seu envolvimento no processo de investigação. Segundo a delação premiada de pelo menos dois ex-diretores da Petrobras, a Odebrecht havia indicado o operador como a pessoa que deveria ser procurada para a abertura das contas na Suíça. Ele tinha até mesmo o direito de movimentar as contas em nome dos correntistas. 

Quando a operação eclodiu, ele alegou que era suíço e que tinha "residência permanente" em Genebra. Seu escritório no Rio de Janeiro passou a ficar vazio e a alegação dos advogados era de que o número de clientes havia caído. 

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