'Janeiro quente' do MST tem recorde de invasões em SP

Pressão por reforma agrária faz movimento invadir 26 propriedades no Estado

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2011 | 18h43

SOROCABA - O "janeiro quente" do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), para cobrar a reforma agrária no início do governo da petista Dilma Rousseff, terminou com recorde de invasões no Estado de São Paulo. Na madrugada desta segunda, 31, cerca de 100 militantes invadiram a Fazenda São Pedro de Aracanguá, de 730 hectares, no município de Santo Antonio de Aracanguá, região de Araçatuba, noroeste do Estado. Com essa, somam 26 as fazendas invadidas no Estado por grupos de sem-terra liderados pelo MST - a maior mobilização pela reforma agrária no mês de janeiro dos últimos dez anos. Foram ainda ocupadas quatro repartições públicas e montados 19 acampamentos na frente de propriedades rurais.

A jornada de lutas do MST atingiu outros Estados - o número de ações por Estado ainda está sendo contabilizado -, mas não com a mesma intensidade que em São Paulo. A ala do movimento ligada a José Rainha Júnior, com o apoio de outros grupos, como o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), foi responsável por 23 invasões. A Fazenda Santo Antonio de Aracanguá é a única que permanece invadida. O coordenador Claudemir Silva Novais disse que as terras foram consideradas improdutivas. O decreto para desapropriação em favor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi assinado em dezembro de 2002 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "Queremos saber por que até agora o assentamento não saiu", disse.

De acordo com Novais, em 2005 a área foi dividida entre vários donos. Um dos proprietários, Pedro Augusto Ribeiro, denunciou a invasão à Polícia Civil na manhã de hoje. Segundo ele, a área está ocupada com criação de gado e lavouras. O dono vai entrar com ação de reintegração de posse. O coordenador do MST disse que, se a Justiça der liminar, os sem-terra desocupam a fazenda. "Antes vamos querer que o Incra se pronuncie." A superintendência do Incra em São Paulo foi acionada pela reportagem, mas informou, através da assessoria de imprensa, que não poderia se manifestar sobre a invasão hoje.-

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