Jefferson Rudy/Agência Senado
Jefferson Rudy/Agência Senado

Janaína Paschoal diz que governo 'não pode sair cortando cabeças'

Deputada estadual afirmou que o fato de Bebianno ter assinado 'liberação do dinheiro' não o torna culpado; oposição cobre esclarecimentos e demissão

Daniel Weterman e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2019 | 11h28

A deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP) declarou que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, não pode ser considerado automaticamente culpado por supostos desvios de recursos do Fundo Partidário para candidaturas laranjas do PSL. A futura parlamentar o classificou como uma "pessoa controversa", mas afirmou que não adianta o governo "cortar cabeças" sem uma apuração. 

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeitas de desvios de recursos do Fundo Partidário destinados ao PSL por meio de supostas candidaturas de fachada nas eleições de 2018. Bebianno presidiu o partido durante o período eleitoral. "Vejam, Bebianno pode ou não ficar no governo, insisto que a situação não me compete. Mas se sair, que seja porque não o desejam por lá", escreveu Janaina em série de mensagens no Twitter. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse que as suspeitas serão investigadas

Para ela, as situações precisam ser investigadas e apuradas. "Não adianta eleger um culpado e cortar cabeças, sem apurar", afirmou. "O fato de Bebianno ter assinado a liberação do dinheiro, na condição de presidente do Partido, não o torna automaticamente culpado, pois ele era a pessoa competente para assinar a documentação. Temos que saber quem, eventualmente, ficou com o dinheiro. Entendem?"

Janaina classificou o ministro como "uma pessoa controversa" e disse que "muita gente não gosta dele". "Eu mesma tenho minhas mágoas. Mas não acho justo usar uma denúncia que, a princípio, não o envolve, para vingar outras questões", afirmou.

Major Olímpio sai em defesa de Bebianno

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), afirmou na manhã desta quinta-feira que o ministro Bebianno é de "absoluta confiança" de Bolsonaro e disse que a crise no governo será contornada. "Vejo total possibilidade de (a situação) ser contornada até porque tenho certeza que no momento em que Bebianno conversar pessoalmente com o presidente, tudo ficará esclarecido", afirmou Olímpio à Rádio Eldorado. "É da absoluta confiança do presidente, uma escolha pessoal", reforçou.

Na entrevista, Olímpio afirmou que, durante a campanha, teve a oportunidade de acompanhar o trabalho de Bebianno de "responsabilidade e imparcialidade na condução do partido". "Não vejo responsabilidade direta dele. Seria impossível para Bebianno, que tinha esse papel de presidente do partido e acompanhava permanentemente a candidatura de Jair, fazer o controle disso, até porque não estava dentro da responsabilidade", afirmou. 

"Espero que (o problema) já se resolva e se esclareça para que não possa gerar uma crise de maior consequência". Questionado se a ingerência dos filhos de Jair Bolsonaro no governo não o incomoda, respondeu que vê a questão com naturalidade. "Os filhos são parlamentares, têm vivência real na política e são da extrema confiança do pai. Têm um papel que transcende a questão familiar e são conselheiros de primeira hora do presidente. É absolutamente natural". Segundo Olímpio, é questão de dias para que cada um "vá se acomodando no seu papel".

Oposição

A crise envolvendo Bebianno também movimentou a oposição ao governo. Pelo Twitter, parlamentares e líderes partidários cobraram resposta rápida do governo sobre o caso, inclusive demandando que o presidente demita o ministro.

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) informou ter protocolado na Câmara um "requerimento para que o ministro Bebianno preste esclarecimentos [...] sobre o uso de supostas candidaturas laranjas nas eleições". Segundo o petista, Bebianno, "demitido ou não, deve explicações à sociedade". "Filho feio não tem pai, diz o ditado. Mas a gente não tem memória curta, não. Vamos cobrar tanto Bebbiano (sic) quanto Bolsonaro pelos escândalos em questão", completou a deputada Margarida Salomão (PT-MG).

"(Gustavo Bebianno) tem que cair hoje. Ou Bolsonaro o demite ou confirmará que não tem nenhum controle sobre o próprio governo", escreveu o presidente do PSOL, Juliano Medeiros. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) foi na mesma linha que o psolista: "Afinal, governo Bolsonaro, você irá demitir Bebianno ou ficará tuitanto (você ou seu filho?) numa espécie de lavagem de roupa pública e insinuando intimidações?", publicou.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse ver três desfechos para a crise. "Se Bebianno ficar no governo, Bolsonaro terá um ministro que mente, segundo admitiu. Se sair, o ministro aceita que mentiu. Se for 'saído', quem preside o país é o filho caçula", escreveu, em referência a Carlos Bolsonaro, que na verdade é filho "número dois" do presidente. "Pra República não cair vai ser preciso dar celular sem internet, sem aplicativos de redes sociais, para os filhos do Presidente", ironizou. / COLABOROU GREGORY PRUDENCIANO

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