FABIO MOTTA/ESTADAO
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'Jamais serei senador ou deputado, não tenho vocação', diz Doria

Ele continuou com discurso que, mesmo sendo prefeito de São Paulo, continua sendo 'gestor', não político

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2017 | 16h44

Cotado como potencial candidato ao governo do Estado e até à Presidência da República em 2018, o prefeito João Doria (PSDB) disse nesta quinta-feira, 29, que sua vocação na área pública é para o Executivo, e não para o Legislativo. "Não me vejo como agente do Legislativo, posso até afirmar que jamais serei senador ou deputado, não tenho vocação para o Legislativo", disse o tucano durante palestra em evento com investidores organizado pelo Citibank, na capital paulista.

O prefeito falou que deseja continuar fazendo gestão na área pública com os preceitos do setor privado. "Respeito bastante o Legislativo, mas eu sou executivo. Quero continuar fazendo o mesmo que fiz na área privada, na área pública", disse Doria, reforçando que tudo o que pretende fazer na administração pública deve estar estabelecido na lei.

Ele tentou afastar, no entanto, que está decidido a ser candidato a presidente em 2018. Reconhece que sua gestão está "extrapolando" a cidade e impactando outros municípios e Estados. "Mas isso não me faz ser candidato a presidente da República. Não seria correto alguém que acabou de ser eleito estar determinado a fazer campanha", declarou.

Durante a palestra, Doria repetiu seu discurso de que não é político. "Continuo sendo um gestor, eu não sou político. Eu estou na política. Eu não quero ser político por opção, assim como fiz a opção em torcer pelo Santos".

Ele afirmou ainda que está convidando outros empresários a entrarem na política. "Quem vai cuidar do Brasil, os bandidos?", disse, ao justificar sua atitude. Ele destacou que há "gente decente" na política. "A maioria não, mas há gente decente".

Desestatização. O tucano destacou seu programa de desestatização e voltou a falar que pretende privatizar alguns equipamentos municipais, como o Anhembi, o autódromo de Interlagos, o Crematório Vila Albina, cemitérios, os mercados municipais e o Bilhete Único. No caso do Bilhete Único, Doria afirmou que a Prefeitura pode deixar de gastar R$ 250 milhões por ano e arrecadar R$ 1 bilhão em um leilão de desestatização.

Nesta madrugada, a Câmara aprovou em primeira discussão o projeto de lei de concessão do estádio do Pacaembu. Com isso, a Prefeitura projeta economizar R$ 400 milhões em quatro anos. Doria afirmou que está negociando com a Câmara para começar em agosto a "marcha" de aprovação de projetos do programa.

Relatando suas viagens internacionais para apresentar o programa de desestatização, Doria citou que há interesse de fundos de investimentos no Brasil, apesar da crise política. "Com toda turbulência política, o Brasil ainda tem interesse e gera interesse em fundos de investimentos", disse.

Governo Temer. Enquanto na terça-feira, no Rio, Doria tenha dito que é preciso ter "responsabilidade, ponderação e equilíbrio" sobre desembarque do PSDB do governo do presidente Michel Temer, o prefeito defendeu nesta quinta-feira, 29, uma posição mais assertiva do partido sobre a denúncia contra o peemedebista.

A convocação de uma reunião para decidir essa questão deixará a opinião da legenda mais "claramente definida", disse Doria. "Havendo a convocação, a manifestação do PSDB estará cristalizada e claramente definida." O prefeito disse que não conversou com o presidente Michel Temer recentemente e evitou, no entanto, se posicionar diretamente sobre a denúncia.

Doria relatou que se encontrou, na quarta-feira, 28, com Tasso Jereissati, presidente interino da legenda, em Brasília. O encontro entre os dois não estava previsto na agenda do prefeito, que passou o dia na capital federal. Doria afirmou que manifestou ao tucano essa necessidade de a Executiva promover um encontro e definir uma posição partidária sobre a denúncia. "E, mais do que isso, a convocação de eleições para de vez termos um presidente que não seja interino", disse. Questionado se defendia que a decisão também seja imediata sobre a denúncia, Doria confirmou. "Claro, tem que ser."

Pesquisas. Nos últimos dois dias, o prefeito de São Paulo falou que as prévias não são a única forma de o partido escolher o candidato à Presidência da República em 2018. Ele passou a defender a pesquisa eleitoral como forma de o partido tomar uma decisão, além das prévias, defendidas por ele e por seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin.

Sondado como candidato ao Planalto, Doria afirmou que passou a fazer a defesa das pesquisas para não entrar em conflito com caciques do partido. "Eu não quero fazer o confronto com a Executiva. Tenho dito que as prévias são sempre o melhor caminho, é o que defendi e que continuo a defender, mas se a Executiva do PSDB entender que há outras formas, vamos seguir as formas que a Executiva determinar para isso", afirmou. Ele voltou a falar que não é candidato a presidente.

 

 

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