Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após críticas por ligar para Renan, Bolsonaro dispara telefonemas a outros candidatos ao Senado

Equipe do presidente, no entanto, disparou telefonemas para os candidatos depois da repercussão negativa diante do vazamento de que ele parabenizou o senador Renan Calheiros

Vera Rosa, Tânia Monteiro e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 22h14
Atualizado 31 de janeiro de 2019 | 23h39

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro telefonou na noite desta quinta-feira, 31, para os oito senadores que irão disputar o comando do Senado e desejou-lhes “boa sorte” na eleição, marcada para esta sexta-feira. Internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde foi submetido a uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal, Bolsonaro ligou primeiro para Renan Calheiros (MDB-AL) e, depois, para Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A equipe de Bolsonaro, no entanto, disparou ligações para os candidatos à Presidência do Senado depois da repercussão negativa diante do vazamento de que ele parabenizou o senador Renan, por telefone, pela vitória na bancada de seu partido. 

A reportagem apurou que Bolsonaro ligou para Renan antes das 20h20 desta quinta-feira. A notícia dessa ligação foi divulgada, pela primeira vez, por volta das 20h25. Diante das críticas, já que o senador alagoano é tido como um nome hostil ao Palácio do Planalto, a equipe do presidente passou a ligar, então, para os outros candidatos.

Segundo a assessoria de imprensa de Alcolumbre, o democrata recebeu a ligação por volta das 21h15, quando o assunto já havia sido repercutido, inclusive, em telejornais. Na sequência, Bolsonaro usou o Twitter para dizer que havia “procurado diplomaticamente” todos os candidatos. A mensagem foi publicada às 21h38, de acordo com o perfil oficial do presidente.

“Nesta quinta-feira, véspera de eleição presidencial para o Senado, procuramos diplomaticamente fazer contato com os candidatos desejando-lhes boa sorte. O eleito será importantíssimo para a democracia e o futuro do Brasil”, escreveu Bolsonaro, em post no Twitter.

Mas, somente após essas mensagens, por volta de aproximadamente 21h40 que o senador Angelo Coronel (PSD-BA) relatou ter recebido o telefonema, sendo que a ligação caiu sem que ele conversasse efetivamente com o presidente.

Alguns minutos depois, às 21h45, o presidente criticou, no Twitter novamente, quem tentasse “desvirtuar” o papel institucional do governo. “Qualquer tentativa de desvirtuar o papel institucional do Governo diante desses fatos é desprovida de boa fé e de profissionalismo. Boa noite a todos”, escreveu.

Na mesmo minuto em que a mensagem entrava no ar, foi a vez do senador Alvaro Dias (Podemos-PR), ser contatado pelo presidente.

Já a assessoria de imprensa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse à reportagem que o contato de Bolsonaro aconteceu somente às 21h59. O senador José Reguffe (Sem partido-DF) é outro que falou com o presidente da República somente depois de toda a repercussão. De acordo com o parlamentar o contato aconteceu apenas depois das 22h. Reguffe disse, porém, que antes estava em uma reunião de trabalho.

O senador Esperidião Amin (PP-SC), por sua vez, não quis confirmar se recebeu ou não, o tal telefone de “boa sorte”. “Se tivesse ligado, eu jamais te diria porque eu tenho ética, os outros não têm. Qual caráter de alguém que diz que recebeu uma ligação de outra pessoa? Eu sei que Bolsonaro não gosta que fala muito de árabe, mas Amin significa ‘o homem de confiança’ em árabe”, afirmou.

A reportagem não conseguiu contato com o senador Major Olímpio (PSL-SP) para saber qual foi o horário da ligação entre ele e o presidente.

Bolsonaro tenta fazer gesto de aproximação com Legislativo

Mesmo com o discurso oficial de que se mantém distante da disputa no Congresso, o presidente tentou fazer um gesto de aproximação porque precisa do Legislativo para aprovar projetos considerados prioritários, como a reforma da Previdência. A ordem de Bolsonaro foi para que a equipe não escancarasse suas preferências na eleição da Câmara e do Senado.

Antes, porém, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, acabou deixando transparecer a divergência com Renan. Nos bastidores, Onyx trabalha pela candidatura de Alcolumbre. “O presidente Bolsonaro ligou, hoje, para todos os candidatos à Presidência do Senado, num gesto de respeito à instituição”, afirmou Onyx. Logo em seguida, criticou o Jornal Nacional, da TV Globo. “O JN falou que foi só pro Renam (sic). Fala a Verdade @jornalnacional!”

Renan conseguiu a indicação para ser candidato do MDB após vencer nesta quinta-feira uma queda de braço disputada na bancada do partido com a colega Simone Tebet (MDB-MS), que também queria concorrer. “O presidente me ligou dando um abraço e disse que quer conversar comigo na quarta-feira. Estou rezando pelo pronto restabelecimento dele”, comentou Renan.

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