EVARISTO SA / AFP
EVARISTO SA / AFP

Internação amplia alcance de Bolsonaro nas redes e Google

A internação no hospital Vila Nova Star permitiu ao presidente da República recuperar na internet a vantagem que ostentava contra adversários como Lula e Sergio Moro

Davi Medeiros e Natália Santos, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2022 | 17h09

Acontecimentos recentes envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (PL) fizeram o mandatário ganhar interesse em buscas e ampliar sua vantagem nas mídias sociais em relação a outros pré-candidatos ao Planalto. Levantamento realizado pelo Estadão na plataforma Google Trends mostra que o volume de pesquisas pelo nome do chefe do Executivo atingiu picos de popularidade entre os dias 2 e 3 de janeiro, período que coincide com sua internação em São Paulo para tratar um quadro de obstrução intestinal. No mesmo intervalo, o interesse pelo termo “Lula” - o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como segundo colocado no monitoramento - foi pelo menos quatro vezes menor.

Segundo André Eler, diretor adjunto da Bites, consultoria especializada em redes sociais e relações governamentais, as buscas estão muito associadas à internação. “Teve um aumento de 5 a 6 vezes nas buscas no Google pelo Bolsonaro. Isso significa que há um interesse geral da população em saber o que está acontecendo com ele.” Entretanto, Eler, enfatiza que essas buscas não significam um interesse apenas de apoiadores. “Críticos também estão buscando”, afirma. 

A página de Bolsonaro no Facebook, que vinha perdendo seguidores dia após dia durante sua viagem a lazer pelo litoral de Santa Catarina, também reagiu à internação e voltou a registrar saldo positivo na segunda-feira, 3. Foram mais de cinco mil novos ‘likes’ em seu perfil ao longo daquele dia, contra um resultado negativo no domingo, quando a diferença entre novos seguidores e ‘unfollows’ havia ficado em menos 189. 

O movimento reverteu a tendência dos dias anteriores, quando o chefe do Executivo vinha sofrendo desgaste por não interromper sua viagem ao litoral de Santa Catarina frente à tragédia causada pela chuva na Bahia. Antes do Natal, já havia passado alguns dias de descanso hospedado no Forte dos Andradas, no Guarujá (SP). 

Também cresceu, na segunda-feira, o volume de perfis falando sobre Bolsonaro no Facebook - bem ou mal. O mandatário se aproxima de 11 milhões de seguidores na plataforma. 

No Twitter, o perfil do presidente não vinha registrando perda de seguidores nos dias anteriores à internação, mas o interesse por ele cresceu também nesta plataforma. Somente nesta terça-feira, 4, Bolsonaro ganhou mais de 2.500 seguidores no microblog, mais que o dobro da média de cerca de 940 registrada entre 23 de dezembro e 3 de janeiro. 

Segundo Pablo Ortellado, professor do curso de Políticas Públicas da EACH-USP, a veiculação das informações sobre a saúde de Bolsonaro gerou não apenas o pico de interesse jornalístico, mas também “uma comoção que se traduziu em apoio com o aumento do número de seguidores”, explica. 

Tanto na primeira internação de Bolsonaro, em julho, quanto agora - ambas pelo mesmo motivo, um quadro de obstrução intestinal - o presidente e familiares têm publicado em suas redes bastidores da internação e imagens do convalescente, exibindo a sonda nasogástrica por exemplo. 

 

A estratégia em veicular esse tipo de imagem é "humanizar" o político, explica Eler, e pode se tornar um ativo eleitoral. “Já vimos isso acontecendo em 2018, quando houve o episódio da facada e, consequentemente, forte interesse do público. Outros momentos ao longo desses anos aconteceram mesmo nessa linha”, diz. 

Para Ortellado, esses conteúdos também funcionam como forma de “despertar compaixão e identidade” no público. O pesquisador conta que, segundo pesquisa do Monitor do Debate Político no Meio Digital após a facada em 2018, grande parte das mensagens direcionadas ao presidente pelas redes sociais eram de apoio. “Uma reinternação não tem a mesma força da época da facada, mas alguma força tem”, disse.

Ranking dos presidenciáveis

Nas buscas do Google, Bolsonaro mantém vantagem constante sobre outros presidenciáveis. O interesse pelo presidente só foi ultrapassado pelo ex-presidente Lula (PT) entre o fim de novembro e o começo de dezembro, período em que começou a se fortalecer o movimento de trazer o ex-tucano Geraldo Alckmin para a chapa petista na disputa pela Presidência.

Em linhas gerais, o ranking das pesquisas relacionadas à corrida eleitoral se mantém com os termos “Jair Bolsonaro” em primeiro lugar, “Lula” em segundo e “Sérgio Moro” em terceiro, com “Ciro Gomes” e “João Doria” se alternando na quarta posição. Foram pontuais as exceções. No começo de novembro, quando formalizou sua filiação ao Podemos, Sérgio Moro ultrapassou Lula e assumiu o segundo lugar. Em meados de dezembro, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal, Ciro Gomes superou o nome do ex-juiz e encostou em Lula.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.