Gabriela Biló / Estadão
Gabriela Biló / Estadão

Bolsonaro celebra Dia do Exército 2 anos após prestigiar ato golpista

Evento contará com a presença do presidente do STF, Luiz Fux; em 2020, o presidente da República discursou diante de apoiadores que pediam o fechamento do Congresso, do Supremo e a volta do AI-5

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2022 | 10h03

Exatos dois anos após inflamar apoiadores contra o Judiciário em um ato que pedia a volta da ditadura, o presidente Jair Bolsonaro participa, nesta terça-feira, 19, de uma cerimônia formal em comemoração ao Dia do Exército, em Brasília. O evento, que sinaliza o apaziguamento entre os Poderes, contará com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e terá a condecoração de magistrados com a Ordem do Mérito Militar. 

A participação de Bolsonaro na cerimônia indica mudança de tom no discurso do presidente. Em 19 de abril de 2020, o chefe do Executivo discursou para uma multidão de apoiadores que levantavam faixas pedindo, entre outras coisas, o fechamento do Congresso e do Judiciário e a volta do AI-5, o ato mais repressivo da ditadura militar. 

Naquela ocasião, o presidente pregou o “fim da patifaria” e afirmou, exaltado, que não queria “negociar nada” com os outros Poderes. Bolsonaro não se opôs aos cartazes pedindo que as Forças Armadas ocupassem as ruas e que o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fosse deposto. Em vez disso, incentivou os apoiadores. Disse: “Queremos ação pelo Brasil! Chega da velha política! (...) Acabou a época da patifaria. Agora é o povo no poder. Vocês têm a obrigação de lutar pelo País de vocês”.

A pandemia de covid-19 havia começado havia algumas semanas no País. Ignorando recomendações sanitárias, o presidente estimulou aglomeração e não usou máscara durante o ato. Enquanto discursava em cima de uma caminhonete, ele chegou a tossir algumas vezes. 

À época, o Estadão apurou que a atitude do presidente foi desaprovada nas Forças Armadas. Aquela, porém, não foi a última vez que Bolsonaro testou os limites contra os outros Poderes, sobretudo o Judiciário. No 7 de Setembro de 2021, o chefe do Executivo fez o mais inflamado de seus discursos contra o Supremo, estimulou a desobediência a determinações da Corte e ameaçou "demitir" o ministro Alexandre de Moraes. 

Dias depois, o mandatário apresentou ao País uma carta que, redigida com a ajuda do ex-presidente Michel Temer, ajudou a acalmar os ânimos entre o Planalto e o STF. Desde então, o presidente continuou dando declarações contra os ministros da Corte de forma esporádica, mas a tensão não voltou a escalar como nos meses anteriores.

Tudo o que sabemos sobre:
Jair BolsonaroExército Brasileiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.