Jader será indiciado por fraude esta semana

Apesar de ter renunciado ao mandato, o ex-senador Jader Barbalho continuará esta semana, como alvo do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. O ex-senador deverá ser indiciado no inquérito que apura fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O mesmo acontecerá com seu suplente, Fernando de Castro Ribeiro, que pode assumir o cargo até sexta-feira. Ribeiro é acusado de ter sido beneficiado com cheques administrativos do Banco do Estado do Pará (Banpará), quando era secretário particular de Jader.Para a PF já existem indícios suficientes para que o ex-senador seja arrolado no inquérito da Sudam. Por isso, o delegado que preside o caso, Hélbio Dias Leite, já enviou dezenas de documentos do Supremo Tribunal Federal (STF) para justificar um pedido de quebra de sigilo de Jader, entre 1998 e 2001. A suspeita é que ele tenha recebido dinheiro de empresários financiados pela Sudam utilizando as contas do ranário Touro Gigante, de sua mulher Márcia Cristina Zaluth Centeno, e do consultório do irmão Leonel. Dias Leite pode indiciar o ex-senador ainda esta semana.A decisão do STF deverá acontecer esta semana. A possibilidade de Jader ter seu sigilo quebrado pela terceira vez nos últimos dois meses - as outras são dos inquéritos do Banpará e da venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) - é grande. O ministro relator, Carlos Velloso, requereu todo o inquérito, que estava tramitando em Palmas (TO) por achar que há indícios do envolvimento do ex-presidente do Senado.SuplenteSe a situação do ex-senador não irá melhorar, mesmo fora do cargo, a de seu suplente também irá se complicar a partir do momento em que assumir na vaga de seu ex-chefe. Fernando de Castro Ribeiro deverá ser investigado não apenas no Senado, mas também pela PF, agora na condição de senador. Por isso, tudo que houver contra ele passará antes pelo STF.Ribeiro é acusado de receber dinheiro desviado do Banpará, hoje algo em torno de R$ 900 mil. Ele foi beneficiado diretamente por pelo menos três cheques administrativos e também recebeu rendimentos das aplicações feitas no Rio de Janeiro, supostamente por Jader. Hoje o provável senador tem uma fazenda na Ilha de Marajó, no Pará, onde explora o turismo ecológico. Na semana passada, ele confirmou que irá assumir o posto deixado pelo ex-presidente do Senado, já que o primeiro suplente de Jader, seu pai Laércio, se nega a entrar na vaga do filho.O deputado José Priante (PMDB-PA), primo de Jader e também citado em depoimentos como envolvido em fraudes da Sudam, será alvo de uma ação mais eficaz do Ministério Público Federal. O deputado, que tem foro privilegiado, afirma que nunca temeu ser investigado e não esteve envolvido em irregularidades. Em nota à imprensa, ele procura ao máximo defender Jader e afirmar que o MPF e a PF estão sendo tendenciosos "por motivos nitidamente políticos."

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