Jader se defende alegando inexistência de provas

O presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho, disse no início desta tarde, em entrevista coletiva, que apresentou à comissão do Conselho de Ética da Casa documentos segundo os quais o Banco Central o exclui do indiciamento no caso de desvio de recursos do Banpará. Barbalho disse ainda que apresentou à comissão documento atual do BC, que analisou as operações feitas com os recursos do Banpará, considerando que há divergências entre datas das emissões dos cheques e das aplicações.Jader disse também que respondeu a todas as indagações dos senadores e que seu sentimento é de que a comissão saiu da sessão com a certeza de que são improcedentes todas as acusações contra ele. Na entrevista, o senador queixou-se de distorções do noticiário da imprensa e disse ainda que informou à comissão ter solicitado perícia judicial nos documentos do caso Banpará. "Espero que, com essa nossa conversa, fique claro que não existe absolutamente nenhuma prova do meu envolvimento no caso Banpará."Jader Barbalho afirmou, ainda, que não vai renunciar ao cargo. "Não trabalho sob hipótese e especulação", afirmou. Segundo ele, caso o senador Jefferson Peres (PDT-AM), integrante da comissão do Conselho de Ética, não tenha se convencido das explicações que prestou no depoimento de hoje "é um juízo dele". "Não deixei uma indagação sem resposta e fiz tudo de forma documentada", afirmou.CPI e requerimentoBarbalho disse que não descarta a possibilidade de assinar o requerimento de instalação da CPI da Corrupção. O requerimento depende de uma única assinatura para completar o número regimental de senadores. "Quem sabe eu tenha vontade", disse Jader, que fez questão de ressaltar que não estava com isso ameaçando o presidente Fernando Henrique Cardoso. Barbalho lembrou que o próprio presidente afirmou recentemente que as denúncias têm que ser apuradas.Jader considerou "ridículo" que o atraso no encaminhamento do requerimento do senador José Eduardo Dutra (PT-SE) que pedia o envio ao Congresso dos documentos do Banco Central sobre o Banpará possa resultar na abertura de processo contra ele por abuso de prerrogativa e poder. "Isso é um absurdo", disse Barbalho. Para ele, se os senadores da comissão do Conselho de Ética querem trabalhar por esse caminho, mostram que não encontraram nenhuma prova contra ele. "Sinto o cheiro do desvio do principal", afirmou o senador, referindo-se às acusações de desvio de recursos do Banpará. Barbalho argumentou também que, se quisesse criar dificuldades para o encaminhamento desse requerimento, não teria desafiado o presidente do Banco Central para ter acesso ao relatório, e nem recorrido a um habeas-data para receber a documentação do banco. "Essa mentirada que está aí sendo passada para a população vai acabar quando tivermos o resultado da perícia dos documentos", afirmou.A entrevista ocorreu logo após o depoimento prestado por Barbalho à comissão do Conselho de Ética do Senado, encarregada da investigação preliminar de denúncias de suposta quebra de decoro parlamentar por parte do senador.

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