Jader resiste a articulações por afastamento

Pressionado pelo PMDB, o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), avisou a seus aliados que aceitaria se licenciar do cargo e do mandato, para ganhar tempo e se defender das acusações de desvio de verbas públicas na época em que era governador do Pará. A disposição de Jader em se afastar chegou a ser anunciada pelo presidente nacional do PMDB, senador Maguito Vilela (GO). Ele comemorou a suposta decisão de seu aliado, mas que acabou não se concretizando. O recuo de Jader é atribuído aos prejuízos que a iniciativa lhe traria. Ele perderia a imunidade parlamentar, e o afastamento concorreria para aumentar ainda mais seu isolamento com o partido. O dia foi confuso, com as informações desencontradas sobre o afastamento de Jader do Senado. Ninguém confirmou sequer se o senador estava mesmo na capital, conforme foi divulgado pela manhã em Belém. É certo, porém, que integrantes do PMDB passaram a manhã tentando convencer Jader a se afastar, pelo menos, da presidência do Senado. Como vantagem para o presidente do Senado, a licença do mandato adiaria o julgamento da representação feita pela oposição no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Só que permaneceria o risco de a oposição também representar contra seu pai e suplente, Laércio Wilson Barbalho, igualmente complicado nas investigações sobre o desvio de recursos do Banpará e na venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs). "A licença é melhor para ele (Jader), é melhor para todo mundo, é melhor para a democracia", constatou Maguito. Segundo ele, a carta com o pedido de afastamento de Jader Barbalho do Senado seria apresentado pelo líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL). Mas o líder negou categoricamente ter conversado com Jader sobre esse assunto. "Faz 15 dias que estive com Jader", disse Renan. A operação foi deflagrada pelo próprio Renan, por Maguito, pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), e o ministro da Integração Nacional, Ramez Tebet. Contou ainda com a participação do líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), que também entrou nas articulações para aconselhar o presidente do Senado a se licenciar, sob o argumento de que a sua situação está "insustentável". Maguito Vilela chegou a telefonar para o senador Paulo Hartung (PPS-ES) avisando-o do empenho do PMDB em convencer Jader. Os peemedebistas também procuraram deputados e senadores do PT para sinalizar a intenção do presidente do Senado. "Ele (Jader) não tem mais condições de presidir o Congresso Nacional", afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA).A pressão mais forte para o afastamento de Jader veio de dentro do próprio PMDB. "A tese de que Jader deveria se licenciar da presidência tem sido muito incentivada dentro do PMDB", afirmou um integrante da cúpula do partido. "O problema maior é convencê-lo a fazer isso", completou. Mas os aliados do presidente do Senado argumentaram que não pretendem repetir o rito sumário que levou à cassação do ex-presidente da Câmara e ex-deputado Ibsen Pinheiro, um dos acusados no escândalo do Orçamento. "Temos que dar todas as condições políticas para que ele (Jader) se explique", observou o assessor especial da presidência da República, o peemedebista Moreira Franco.

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