Jader recebe relatório do BC

O presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) recebeu o relatório de mais de três mil páginas, do Banco Central, sobre o desvio de dinheiro público do Banco do Estado do Pará em 1984. O documento chegou às mãos do senador por determinação do desembargador João Alberto Castelo Branco de Paiva, do TJ. Jader havia tentado por duas vezes ter acesso ao documento, mas o Ministério Público Federal e o Estadual rejeitaram sua pretensão. "Agora, sim, vamos demonstrar que nada vincula o nome do senador a esse caso", afirmou o advogado Sábato Rosseti, defensor de Jader. Paiva rejeitou agravo de instrumento dos três promotores que investigam o caso. Na semana passada, a juíza em exercício da 15ª Vara Cível de Belém, Rosileide Barros, havia concedido habeas-data ao senador, para que os documentos fossem a ele entregues. Os promotores Hamilton Salame, Agar Jurema e João Gualberto argumentam que a entrega da documentação significaria a quebra do sigilo bancário de outros envolvidos no caso. "Esse argumento do Ministério Público não procede. O caráter do habeas-data visa assegurar o conhecimento de informações relativas à sua pessoa (de Jader) e não de terceiros. Não importa, absolutamente, em prejuízo à preservação do sigilo bancário dos demais investigados", afirma o desembargador em sua sentença. Criticando indiretamente a postura dos promotores em recorrer contra a decisão da juíza, Paiva argumenta: "se não há o que esconder, por que se recusa o fornecimento dos elementos pretendidos pelo agravado?"O senador Jader Barbalho recebeu os 12 volumes do relatório do BC em sua empresa, a RBA, por volta das 12h. Dois técnicos contratados pelo senador começam a ler hoje todas as páginas, para encontrar elementos consistentes que fundamentem a defesa de Jader no caso de os promotores resolverem processá-lo. Jader aproveitou o momento em que recebia o relatório para declarar que não pensa em renunciar ao mandato de senador. Ele anunciou que não irá a Brasília para a reabertura dos trabalhados legislativos. Pretende ficar no Pará até o final da semana. "Brasília, somente na segunda-feira", disse o senador.

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