Jader pode dar voto de minerva na cassação de ACM

Designado a definir o futuro dos senadores acusados de violação do painel eletrônico, o primeiro-secretário do Senado, Carlos Wilson (PPS-PE) que será o relator do caso na Mesa Diretora, vai esperar até quarta-feira, quando Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) deverá anunciar sua renúncia, para divulgar sua decisão sobre a abertura ou não de processo de cassação. Caso ACM recue e não renuncie, a decisão final, considerando a possibilidade de instauração de processo, acabará ficando nas mãos de um dos seus principais rivais políticos: o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Ele deverá dar o voto de desempate já que a tendência entre os integrantes da Mesa Diretora é de divisão de opiniões.Caso o processo fosse votado hoje na Mesa Diretora, o placar seria de 3x3, empatando entre os favoráveis e os contrários à cassação. Assim o chamado voto minerva caberia a Jader, na posição de presidente da Mesa Diretora. Resignado, o rival político de ACM negou ser influenciado por "questõespessoais" na hora de votar. Segundo ele, o episódio era desagradável e não lhe causava prazer algum. O mesmo mal-estar impera entre os demais componentes da Mesa Diretora, porém suas posições são bemdefinidas.Os sete integrantes da Mesa Diretora torcem pela renúncia de ACM, exatamente como ocorreu com Arruda. Se isso for concretizado, o processo será encerrado sem desdobramentos, fora os administrativos, como os inquéritos envolvendo os funcionários e as discussões visando o aperfeiçoamento do sistema eletrônico do Senado. "A gente tem rezado para que uma luz ilumine o Antonio Carlos e renuncie, assim diminui o desgaste político e quem sabe a gente começa a trabalhar", afirmou um dos componentes da Mesa, que preferiu não se identificar. Na Mesa Diretora, a favor da cassação podem ser indicados três parlamentares: um do PPS, outro do PSB e um último do PSDB. Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), o segundo vice-presidente, é considerado ético e fiel às orientações políticas do partido. Já Carlos Wilson, apesar de ser amigo pessoal de ACM, acompanhou de perto as investigações sobre as denúncias de fraudes no painel eletrônico e sente-se impossibilitado de votar contrariamente ao processo. O último que deverá votar a favor é Antero Paes de Barros (PSDB-MT), segundo secretário, que se destacou durante as investigações, por seus questionamentos incisivos contra ACM e Arruda.Os que são considerados contrários à cassação também são três senadores: dois do PFL e um do PMDB. O mais aguerrido deles é Édison Lobão (PFL-MA), primeiro vice-presidente da Mesa, está entre os principais aliados de ACM e trabalhou intensamente contra a cassação. O único peemedebista desta lista éAlberto Silva (PMDB-PI), terceiro secretário, suplente do senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), que faz tratamento de saúde. Ex-governador do Piauí, ele nutre simpatia por ACM e já comentou com amigos ser contrário à pena máxima. O pefelista Mozarildo Cavalcanti (PFL-RR), quarto secretário, é aliado de ACM edos demais pefelistas. Sua participação no Senado é associada às causas amazônicas principalmente por comprar brigas com os ecologistas.Em meio a este quadro, Jader Barbalho poderá ser algoz ou o salvador de ACM. Esforçando-se para demonstrar isenção no processo, ele tentou hoje falar da sua consternação com o episódio e chegou a interromper a sessão do Senado em consideração ao pedido de renúncia de Arruda. Em seguida, ao discurso do parlamentar do Distrito Federal, ele pediu a palavra, desejou sorte ao colega que deixava o cargo e acompanhou-o até a garagem do Senado. Antes de Arruda entrar no carro, recebeu um forte abraço de Jader.

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