Jader passa o final de semana preparando defesa

A defesa que o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), promete apresentar amanhã sobre seu envolvimento com o empresário José Osmar Borges, acusado de desviar R$ 133 milhões de recursos financiados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), será crucial para sua sobrevivência política dentro do PMDB. Os peemedebistas esperam que Barbalho consiga explicar e rebater as denúncias de que sua mulher, Márcia Cristina Zaluth Centeno, foi sócia de Borges durante o período em que os negócios do empresário já eram investigados pelo Ministério Público. Parte da cúpula do PMDB também está defendendo a renúncia de Barbalho, de preferência ainda esta semana, à presidência do partido. "É muito importante para o PMDB que ele (Barbalho) faça uma defesa convincente e consiga dar a volta por cima e criar um fato político que reverta o noticiário contra ele", argumenta um integrante da cúpula peemedebista. "Há um profundo mal estar no partido", completa outro dirigente da legenda. "Amanhã é o Dia D, porque ele tem que se explicar perante o partido", sustenta um deputado do PMDB. "Ele (Jader) terá de fazer um discurso forte para tentar reverter a sua posição de enfraquecimento diante da mídia", atesta um peemedebista.Defesa - Barbalho passou todo o feriado isolado, em sua fazenda no Pará, preparando sua defesa, que deverá incluir cópias das declarações do Imposto de Renda de sua Fazenda Rio Branco. Documento da Junta Comercial do Pará publicado pela revista "Veja" mostra que Borges foi sócio de Márcia Centeno, de 1996 a 1998, quando o patrimônio da agropecuária Campo Maior foi transferido para a Fazenda Rio Branco. "Ele (Barbalho) vai mostrar que fez uma transação pública e não um contrato de gaveta e que está tudo no Imposto de Renda da Fazenda", diz um aliado de Barbalho. A estratégia da defesa de Barbalho também estará centrada no ataque a empresários do eixo Rio São Paulo. O peemedebista cogita apresentar documentos apontando empresários que subestimaram o valor de imóveis em suas declarações de renda. Também pretende apresentar provas mostrando supostas fraudes na concessão de incentivos fiscais tanto pela Sudam como pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) a empresários das regiões Sudeste e Sul. A bancada do PMDB deverá se reunir amanhã ou terça-feira para discutir as novas denúncias contra Barbalho. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pretende defender, no encontro, o apoio do PMDB à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção. Para Simon, esta será a única forma do partido sair da ofensiva e permitir que Jader Barbalho deixe de ser o "bode expiatório". Principal adversário de Barbalho, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) afirma que "vai ficar atento às explicações" do peemedebista. E garante que não pretende provocar seu desafeto político. "Não quero que digam que isso é briga minha com ele", justifica. Na avaliação de ACM, a corregedoria do Senado, a cargo do senador Romeu Tuma (PFL-SP), tem de investigar o envolvimento do presidente do Senado com o empresário acusado de fraudar a Sudam. "Agora a coisa é grave; já fiz minha parte e cabe aos órgãos do Senado e aos presidentes e líderes de partidos fazerem a parte deles", diz.Renúncia - Além de ter que enfrentar as denúncias sobre seu envolvimento com o empresário José Osmar Borges, Jader Barbalho também precisará driblar o movimento crescente dentro do PMDB favorável a sua renúncia da presidência do partido. Até mesmo maiores defensores de Barbalho começam, agora, a cobrar dele a sua saída da presidência do PMDB para reduzir o desgaste do partido. O comando do PMDB ficaria com o senador Maguito Vilela (GO), hoje vice-presidente do partido. A proposta é que Maguito, que é do grupo opositor a Jader e também faz oposição ao governo, assuma a presidência interinamente e convoque imediatamente eleições. Pelo estatuto do PMDB, Maguito tem 60 dias para convocar eleições para a escolha do novo presidente. "O PMDB não pode agüentar um presidente nessa situação e um vice que quer ficar de maneira ilegítima no comando do partido", observa um dirigente do partido. "Mais que o Senado, o partido pede explicações e o PMDB precisa de gestos claros e transparente e não de mão de gato", observa outro integrante do PMDB.

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