Jader nega desvio de recursos do Banpará

O presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), afirmou aos integrantes do Conselho de Ética que não se beneficiou dos recursos que teriam sido desviados do Banpará entre 1984 e 1986, período em que foi governador do Pará. A informação foi dada no início desta tarde pelo senador Antero Paes e Barros (PSDB-MT) que deixou a sala onde estava sendo feito o depoimento de Jader Barbalho na comissão do Conselho de Ética. O depoimento de Jader à Comissão terminou por volta das 13 horas.A comissão é responsável pela investigação preliminar das denúncias segundo as quais Jader Barbalho teria quebrado o decoro parlamentar. Segundo Paes e Barros, Jader afirmou que não tinha se beneficiado dos recursos do Banpará mesmo diante da manifestação dos integrantes da comissão de que o benefício existiu. "Essa afirmação é importante porque, agora, ele a diz como senador da República e não como governador do Estado do Pará e, caso se prove o contrário, ele terá mentido no exercício do mandato", afirmou Paes de Barros.Segundo o senador, Jader mostrou à comissão que um dos resíduos de aplicação do qual ele supostamente teria se beneficiado não está materialmente comprovado no relatório dos auditores do Banco Central. Antero disse, no entanto, que ele não fez o mesmo em relação às outras aplicações. Jader teria, inclusive, conforme Antero, reconhecido sua assinatura em um dos cheques. Ele disse que Jader informou à comissão ter requerido perícia judicial no relatório do Banco Central. Essa perícia deverá estar concluída até sexta-feira.O presidente licenciado do Senado insistiu também em utilizar em sua defesa a estratégia de que as conclusões finais das auditorias do Banco Central tanto de 1992 quanto a deste ano o absolvem. Apesar das explicações, Antero afirmou que o senador não conseguiu convencê-lo categoricamente. Ele considerou difícil o Conselho de Ética não abrir um processo formal para apurar a quebra de decoro parlamentar. "Ou para o bem dele ou da instituição", disse. Na sua opinião, a comissão deve encerrar os trabalhos e já apresentar suas conclusões para que o Conselho de Ética abra um processo formal.Segundo a senadora Heloisa Helena (PT-AL), Jader manteve a mesma postura adotada ultimamente e, durante o depoimento à Comissão, voltou a exibir o parecer de 1992 do Banco Central, no qual, segundo Jader, não foram descoberto indícios contra ele na fiscalização do BC. Heloisa Helena disse que, durante o depoimento, se dirigiu a Jader para afirmar que o relatório de 1992 do Banco Central é "igualmente fraudulento", e acrescentou, segundo seu próprio relato: "Eu não tenho dúvida de que V. Exª se beneficiou das operações". O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), comentou, por sua vez, que durante o depoimento o senador Jader Barbalho foi perguntado pelo menos três vezes se foi ou não beneficiário dos depósitos do Banpará. "Ele negou com veemência", disse Suplicy.

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