Jader já está em campanha para 2002

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) já está em campanha para voltar à política em 2002. Foi desta forma que seus aliados mais próximos interpretaram os 75 minutos do discurso de defesa apresentado ao Conselho de Ética do Senado. Jader não exibiu argumentos novos capazes de reverter um único voto e alterar a disposição geral dos conselheiros, de processá-lo por quebra do decoro parlamentar. Mas sua fala foi considerada competente do ponto de vista da opinião pública, especialmente para o eleitor do Pará."Não tenho nenhuma veleidade neste processo, cujo desfecho não será surpresa para ninguém", admitiu o próprio Jader em conversa com correligionários depois do discurso. Ele deixou claro que não pretendeu, em momento algum, virar votos a seu favor com a apresentação da defesa. "Não falei para o conselho, e sim para a sociedade, para o Pará", resumiu.Em seu longo improviso, Jader repassou todas as acusações levantadas contra ele desde o dia 5 de abril do ano passado, quando abriu guerra contra o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) da tribuna do Senado. Desmentiu enfaticamente cada uma delas. E dirigindo-se "ao trabalhador brasileiro, às donas de casa", a cada desmentido ele acusava "a farsa" e "a vingança política" montadas contra ele. "Você que está em casa me ouvindo deve ter ficado chocado com a falsa informação de que o presidente do Congresso teria cobrado uma propina de US$ 5 milhões de um empresário", disse Jader, referindo-se à acusação gravada em uma fita, cuja falsidade já foi comprovada. E passou a reivindicar que se esperasse o resultado da perícia técnica judicial nos documentos do caso Banpará antes de recomendar a abertura de processo. "Não sou eu o mentiroso nem sou eu que tem medo de Virgínia Wolf", insistiu. "Ele está trabalhando a imagem de vítima de um complô político, que ele mesmo vai usar na campanha", avaliou um peemedebista que acompanha cada lance do caso Jader. Além repetir um a um os trechos de relatórios do Banco Central, do Ministério Público Federal e do Pará, da Procuradoria Geral da República e do Banco Itaú que podem ser interpretados em sua defesa, o senador paraense mencionou ainda trechos das falas de adversários do bloco de esquerda, admitindo a impossibilidade de provar sua culpa no caso dos desvios de recursos do Banpará.

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