Jader faz grosseria com Tuma no Conselho de Ética

Durante seu depoimento no Conselho de Ética do Senado, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) deu a entender que o senador Romeu Tuma (PFL-SP) está perto da morte. Jader acusou Tuma, membro da comissão especial do Conselho de Ética que o investigou, de imparcial. Jader foi duro nas críticas ao passado do senador, referindo-se a sua passagem pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), durante o regime militar. "Se na democracia se alteram documentos, imagino o que foi feito na época do Dops", disse ele, acusando Tuma de ter deturpado o depoimento do ex-gerente do Banco Itaú no Rio sobre o caso Banpará e insinuando que Tuma teria também mentido quando o acusou de receber depósitos do Banpará numa conta do Banco Itaú. Tuma, sentado bem na frente de Barbalho, interveio, afirmando que Barbalho o estava chamando de mentiroso: "Eu protesto", disse Tuma. "V. Exa. não é mentiroso. V. Exa. pode ser outras coisas", ironizou Barbalho em resposta, afirmando que nem citara o nome de Tuma. "Não sei por que V. Exa. está incomodado. Eu não citei o nome de V.Exa. Se V. Exa. está irritado, incomodado, eu retiro. Eu não sei quem vai julgar o nosso passado e o presente. Será Deus ou o diabo quando formos prestar contas lá? Vamos prestar contas, e olha que pode ser em breve", afirmou, dirigindo-se a Tuma, e fazendo em seguida uma observação sobre a palidez do senador paulista. (O senador Tuma está com a saúde fragilizada desde que teve problemas cardíacos há alguns anos.)Nesse momento, Tuma se levantou e saiu da sala, dirigindo-se à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Foi chamada uma equipe médica para atender o senador paulista.O atendimento no serviço médico foi breve. Pouco depois - enquanto o Conselho de Ética suspendia a sessão para atender ao regimento do Senado, que determina que nenhuma comissão pode se reunir durante a ordem do dia no plenário -, Tuma conversou com os jornalistas. Nessa entrevista, Tuma classificou como ameaças as provocações feitas pouco antes pelo senador Jader Barbalho. "Se você analisar friamente, acredito que ele tenha dito isso como uma ameaça de morte", disse Tuma, referindo-se à insinuação de Jader de que o julgamento de seu passado e presente "perante Deus ou o Diabo" estaria para vir em breve. Tuma rebateu a afirmação de Jader de que estaria sendo vítima de uma farsa, bem como a qualificação dos integrantes do Conselho de "caluniadores, detratores e fariseus". "Não houve farsa. Os membros do Conselho são éticos e dignos e não podem ser desmoralizados", disse Tuma.

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