Jader evita dar informações sobre bens à PF

A Polícia Federal está convencida de que será necessário quebrar o sigilo fiscal do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), para saber qual a evolução patrimonial do senador entre 1988 e 1989, quando houve a negociação com os Títulos da Dívida Agrária (TDAs) da Fazenda Paraíso. A idéia foi reforçada depois do depoimento de Jader, que se negou a falar sobre acréscimos a seu patrimônio no período em que era ministro da Reforma Agrária, apesar de concordar com a abertura de suas contas bancárias. Até a próxima semana, a PF vai pedir à Justiça, a quebra do sigilo bancário e fiscal de alguns membros da família do senador, entre eles o pai, Laércio Barbalho, que está à frente dos negócios do filho. Durante as quatro horas de depoimento, Jader, em vários momentos, foi evasivo. Disse que não se lembrava de ter recebido em seu gabinete, no ministério, o empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva, acusado pelo ex-banqueiro Serafim Rodrigues Morais e sua mulher, Vera Arantes Dantas, de ter sido o intermediário do senador na venda de TDAs da Fazenda Paraíso. Ele disse que, seguramente, recebia dezenas de pessoas diariamente em audiência, que suas relações com Pedrosa era meramente sociais, e que apoiou a candidatura do empresário à prefeitura de Igarapé-Açu (PA). Jader também deixou sem uma resposta concreta a indagação do delegado Luiz Fernando Ayres Machado sobre suas viagens a São Paulo, na época em que era ministro. Ele disse não lembrar se havia se hospedado no Hotel Hilton, onde o casal Serafim e Vera disse tê-lo visto no momento em que negociavam a compra dos TDAs com Vicente Pedrosa. Ele simplesmente afirmou que esteve em vários hotéis, mas admitiu que poderia ter encontrado mesmo com o empresário, em outubro de 88, quando houve a negociação. Jader respondeu que deve ter sido cumprimentado por centenas de pessoas em suas viagens a São Paulo, por ser uma pessoa conhecida e no exercício de função pública. O presidente do Senado admitiu ser amigo pessoal do ex-deputado federal Antônio Pinho Brasil, que foi condenado a cinco anos de prisão por envolvimento em irregularidades na desapropriação da Fazenda Paraíso. Mas Jader não informou qual a relação que sua família tinha com o ex-superintendente-adjunto do Incra em Belém, Henrique Santiago. Segundo diversas pessoas que conheciam Santiago, ele foi indicado ao cargo pelo pai de Jader, Laércio Barbalho. Sigilo fiscal preservadoAs respostas de Jader praticamente eram esperadas pela PF, até porque o próprio senador já havia feito uma defesa prévia, por escrito, que exigiu ver anexada ao interrogatório. Mas foi a partir das negativas de Jader em quebrar seu sigilo fiscal que surgiram as suspeitas de que o senador pode ter adquirido bens no período em que foi feita a negociação dos títulos. Jader alegou seu direito constitucional de não responder, ao ser questionado sobre se teria comprado alguma propriedade na época. Ele afirmou que isso não era objeto do inquérito que fora aberto para apurar as denúncias das vendas dos TDAs. Jader também não quis responder se comprou ou não empresas e outros bens, e com que recursos isso foi feito, na época em que era ministro. Novamente, ele citou a Constituição para evitar falar sobre sua evolução patrimonial. "Alguns pontos serão esclarecidos com a quebra de sigilo bancário e fiscal", afirmou o delegado Ayres Machado, confirmando que Jader autorizou uma devassa bancária sobre o período em que foi ministro, mas se recusou a autorizar o levantamento na sua vida fiscal. A quebra do sigilo fiscal de Jader vai depender dos depoimentos que serão tomados até a próxima semana. Caso o pedido venha a ser formalizado, a decisão terá que ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O depoimento de Jader foi assistido pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), que vai acrescentá-lo ao relatório que vem fazendo sobre as investigações. Tuma considerou ?sinceras? as respostas do presidente do Senado, mas não quis avaliar a possibilidade da quebra de sigilo fiscal. O corregedor afirmou que Jader somente questionou a tomada de depoimento, pela PF, do advogado Paulo Lamarão, desafeto do senador há 18 anos e contra quem move uma série de ações judiciais.

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