Jader deixa carceragem da PF em Palmas

O ex-presidente do Senado Jader Barbalho tentou dar uma conotação política a sua prisão ao deixar, no início da madrugada deste domingo, a carceragem da Polícia Federal em Palmas, no Tocantins. "Isso que aconteceu comigo foi uma politicagem, uma violência política", disse Jader. Jader afirmou que sua prisão foi ainda um fruto de seus embates com o ex-presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), durante a disputa das eleições para a presidência do Senado Federal em 2001. "Eu sofri várias violências políticas desde o episódio em que me envolvi no Senado com o senador Antônio Carlos Magalhães, e esse é mais um episódio", disse.Segundo Jader Barbalho, a decretação de sua prisão preventiva foi um ato eleitoral "montado" pela Justiça. "Seguramente é um episódio daqueles que estão preocupados com os índices de apoio da opinião pública no meu Estado, que podem me fazer governador ou senador", afirmou.RomboO ex-senador, que renunciou ao mandato em outubro do ano passado, foi preso em Belém, no Pará, na manhã deste sábado, juntamente com outros cinco acusados de participação em operações fraudulentas de desvios de recursos públicos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A prisão foi executada por ordem do juiz Alderico Rocha Santos, da 2ª Vara Federal de Palmas (TO). O juiz atendeu a requerimento do procurador da República Mário Lúcio Avelar, que denunciou o ex-senador por crimes de peculato (desvio de recursos públicos) e associação de organização criminosa para lesar os cofres públicos. O Ministério Público Federal investiga 151 contratos supostamente fraudulentos da Sudam que causaram rombo calculado em R$ 40 milhões.Jader foi liberado pela PF depois que o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da primeira região em Brasília, Tourinho Neto, concedeu liminar em pedido de habeas corpus impetrado por seus advogados. Foram liberados junto com o ex-senador, a contadora Maria Auxiliadora Martins e o ex-presidente da Sudam, José Arthur Guedes Tourinho, que também estavam presos na PF do Tocantins.Segundo Barbalho, a "violência política" sofrida por ele quando da decretação de sua prisão preventiva só se justificaria durante a ditadura militar. "Na época da Ditadura se justificava essas coisas, mas na democracia não se admite que isso ocorra", disse. "Lamentavelmente, sofri uma violência política em plena democracia, e patrocinada pela Justiça Federal do Tocantins." A decretação da prisão de Jader Barbalho foi facilitada por sua condição de ex-senador, já que, ao renunciar ao cargo, ele perdeu a prerrogativa de ser julgado apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a concessão de licença por parte do Senado.Candidatura mantidaO ex-senador embarcou em um avião fretado de volta para Belém no Pará. Até o início da madrugada deste domingo, a Justiça ainda não havia concedido a liberdade para outros três acusados de participação nos desvios de recursos da Sudam, que também foram presos e trazidos para Palmas, mas mantidos na Casa de Prisão Provisória (CPP) do Estado. Os presos eram o empresário José Soares Sobrinho, Regivaldo Pereira Galvão, e o ex-prefeito de Altamira, no Pará, Delio Fernandes, aliado político de Jader.Pouco antes de embarcar para Belém, Jader Barbalho garantiu que manterá sua candidatura ao governo do Pará ou a uma vaga no Senado Federal. "Eu estou estudando ainda, não está claro, mas ou governo ou Senado, um dos dois o povo do Pará me fará", disse. O ex-senador disse que não tomará nenhuma medida contra a decisão da Justiça Federal do Tocantins que solicitou sua prisão preventiva. "Brasília já fez; já desmoralizou essa medida", afirmou o ex-senador ao comentar a decisão tomada pelo presidente do TRF da 1ª Região, que concedeu a liminar que o tirou da carceragem da PF no Tocantins.

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