Jader Barbalho nega irregularidade em transferência de TV

O deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) afirmou nesta segunda-feira, 16, não ter cometido nenhuma irregularidade ao transferir a concessão de sua emissora de TV em Belém, a RBA - retransmissora da Rede Bandeirantes -, para o Sistema Clube do Pará, que engloba outras empresas de seu grupo empresarial. "O que houve foi uma transferência direta, perfeitamente legal. Não houve nenhuma fuga de responsabilidade, até porque os mesmos sócios da empresa que já possuía outorga do governo foram mantidos", disse Jader. Ele acrescentou que no novo desenho empresarial a RBA passa a figurar como holding do Sistema Clube do Pará. A revista Veja do último final de semana acusou o deputado de "ganhar de presente" mais de R$ 80 milhões do governo Lula. A publicação diz que a empresa RBA teria dívida de R$ 82,4 milhões com a Receita Federal, o INSS e o fundo de garantia e, com a mudança, deixaria de pagar esse valor. Segundo Veja, quando a RBA for cobrada pela União, não haverá recursos, já que a empresa não possui mais a concessão da Bandeirantes - transferida para a holding -, e a conta nunca será paga. Questionado se poderia fazer a transferência estando com seus bens bloqueados pela Justiça por seu envolvimento em desvio de recursos no caso Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), o deputado respondeu que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Para ele, estão misturando pessoa física com jurídica. E reagiu: "Não tenho como bem concessão de televisão. Isso tudo não passa de uma grande idiotice", acrescentando: "Não tem também um documento, uma coisinha sequer, que prove qualquer envolvimento meu no episódio Sudam". DefesaJader também rechaçou a acusação de que teria sido beneficiado na transferência do controle de uma empresa que estaria devendo R$ 80 milhões (a RBA, retransmissora da Bandeirantes) à União por ter estreita amizade com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Explicou que a dívida está sendo composta e que a empresa faz uso dos mecanismos previstos em lei para promover o pagamento. "Eu sei que por detrás de tudo isso que estão escrevendo por aí está a questão política. E quem entra na política tem de saber aprender a apanhar e não somente bater", ironizou Jader, lembrando que os ataques contra ele começaram por sua passagem pela presidência do Congresso Nacional, quando resolveu bater de frente com o cacique da política baiana, o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM). "Tinha gente que tremia e se borrava todo só de ouvir falar no nome dele". A respeito da suposta divisão do poder na administração do governo de Ana Júlia (PT) no Pará, Jader sorriu ao esclarecer ter ficado com fatia bem menor do bolo. Havia um acordo que dava ao PMDB paraense um terço dos cargos, mas no final o partido ficou somente com a Secretaria de Saúde, cujo secretário foi indicado pelo ex-deputado José Priante, o Detran, a Cosanpa, a Jucepa e a Loteria do Estado, órgãos do segundo escalão do Estado. O deputado não se queixa, alegando que o acordo foi feito com o partido e não com ele. Dos cargos relevantes desses órgãos, Jader indicou cinco nomes. A governadora Ana Júlia não quis se pronunciar sobre as nomeações de aliados políticos. Para Jader, o objetivo de adversários no Estado seria "desgastar" a imagem dela. Esses adversários seriam os "tucanos do PSDB", partido que governou o Pará por doze anos consecutivos.

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