Jader ameaça falar sobre corrupção no governo FHC

Em entrevista exclusiva à Rede Globo, divulgada no ?Jornal Nacional? e no ?Jornal da Dez?, da Globo News, o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho, afirmou que não se sente à vontade, no momento, para tratar das denúncias de corrupção no governo, mas respondeu com um "quem sabe?" a possibilidade de vir a fazê-lo no momento oportuno. Indagado sobre se esse ´quem sabe´ era em tom de quem sabe que tem corrupção, respondeu afirmativamente: "É de quem sabe".Planalto não comentaO porta-voz do Palácio do Planalto, George Lamazière, informou que o presidente não iria comentar as declarações de Barbalho, por ser um assunto interno do Senado. Na entrevista, concedida ontem em Belém, o senador do PMDB paraense disse que há pessoas do governo e da base aliada por trás das acusações que lhe estão sendo feitas. Estes os principais trechos de suas declarações, repletas do indefectível ´certo?´, que caracteriza sua fala:Quem o acusa"É gente do governo, gente da própria base do governo; tem as viúvas do Antonio Carlos Magalhães, que ficaram inconsoláveis até hoje. É uma engrenagem isso. E resolveram então montar o que se chama de julgamento político. Ao longo do tempo não se fala de mais nada, mas se macula e se desonra a minha imagem de homem público e me transforma, o que é mais importante, no maior mal deste País."Escândalos"O maior mal deste país foi ter-se gasto 21 bilhões de dólares com os bancos Econômico e Nacional, com o escândalo de l,6 bilhão de dólares com o Marka e o FonteCindam, que esse sim foi o grande escândalo com o dinheiro público. É o pequeno Banco do Estado do Pará, num episódio de 17 anos atrás, é que imaginam que está preocupando a sociedade brasileira. E o escândalo das privatizações realizadas no Brasil? Nada disso. O grande escândalo nacional se chama Jader Barbalho."Inocência"O doutor Brindeiro (Geraldo Brindeiro, procurador-geral da República) já fez uma manifestação por escrito, dizendo que este assunto (Banpará) não pode absolutamente, pelo aspecto legal, ser apreciado. Eu considero que tudo isso aí é mera especulação, totalmente improcedente, porque o que eu tenho é um parecer escrito, não em grego, mas em português, e assinado pelo doutor Geraldo Brindeiro." Sigilo bancário"O meu sigilo foi quebrado durante cinco anos, de 1984 a 1988. Então, não há necessidade de ter mais trabalho nisso."Cassação"Não temo minha cassação. Nós não estamos na ditadura. Nós estamos na democracia e estamos no estado de Direito. E no estado de Direito as pessoas têm o direito à defesa."Pareceres do BC"Todos os pareceres (do Banco Central) a que tenho acesso, são todos eles a meu favor. O parecer final do Banco Central, feito e escrito em português, e não em grego, é a meu favor."Ligação com acusados"Ser responsabilizado pelo simples fato de ter algum tipo de relação pessoal com essas pessoas, por possíveis ilicitudes de que essas pessoas são acusadas, isso é um absurdo. Isso, nem na lei de Talião existia. Eu não me arrependo de ter sido sócio de José Osmar Borges. Não me arrependo de coisíssima nenhuma. Certa época eu fiu apresentado a ele, e o conheci como um empresário vitorioso, com projetos inclusive implantados com certificados de implantação." Presidência do Senado"Encerrada a minha licença eu retorno à presidência do Senado. Eu tenho um mandato, fui eleito pela maioria absoluta do Senado, e não vejo absolutamente nenhuma inconveniência, e retorno à presidência."Brindeiro respondeEm entrevista ao ?Jornal das Dez?, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, esclareceu que seu parecer negando base jurídica para a abertura de processo contra Barbalho por desvio de recursos do Banpará quando governou o Estado, levou em conta um relatório do BC de 1992, bem como o que disse na época um procurador estadual do Pará, que investigou o caso. Mas que fatos investigados a partir de maio último, demonstram que a situação mudou, ensejando assim a abertura de um novo inquérito.

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